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Fragmento de mais uma exemplar crónica olímpica de Ferreira Fernandes, no DN:

«Viram-no, ontem? Antes de partir [Usain Bolt] fez as macacadas do costume, pentear-se para as câmaras, mimar um arco para enviar a seta que lhe marca o nome (bolt, em inglês, é seta)… O Ninho de Pássaro tocou-lhe o Parabéns a Você – estádio apressadinho como o festejado, pois o mais célebre dos jamaicanos só faria 22 anos horas depois. Mas quando se atirou à pista, Bolt já não foi o mesmo dos 100 m, onde só correu perto de 80 e fez o resto da prova a saudar a sua supremacia. Desta vez, levou a peito a corrida toda – sem provocações (ontem, tinha ambas as sapatilhas com os atacadores apertados) – e quando cortou a meta já não foi de peito direito, como nos 100 m, mas de cabeça inclinada em quilha, de velocista que não quer dar centésimos de segundo a ninguém.»



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges