“50 livros que toda a gente devia ler”

No dia 18, o suplemento Actual do Expresso apresentou uma lista de 50 livros essenciais, imperfeita e incompleta como todas as listas.
Eis as obras seleccionadas:

Odisseia, Homero
Dom Quixote, Miguel de Cervantes
Crime e Castigo, Fiódor Dostoievski
Moby Dick, Herman Melville
Guerra e Paz, Lev Tolstoi
Macbeth, William Shakespeare
Os Miseráveis, Victor Hugo
Madame Bovary, Gustave Flaubert
A Montanha Mágica, Thomas Mann
O Grande Gatsby, Scott Fitzgerald
1984, George Orwell
O Monte dos Vendavais, Emily Brontë
Ulisses, James Joyce
Os Maias, Eça de Queiroz
Poesia, Álvaro de Campos
A República, Platão
Confissões, Santo Agostinho
Divina Comédia, Dante
Ensaios, Montaigne,
Candide, Voltaire
O Vermelho e o Negro, Stendhal
O Som e a Fúria, William Faulkner
O Processo, Kafka
Terra Sem Vida, T.S. Eliot
O Ofício de Viver, Cesare Pavese
À Espera de Godot, Samuel Beckett
Poeta em Nova Iorque, Federico García Lorca
O Homem Sem Qualidades, Robert Musil
Tristram Shandy, Laurence Sterne
O Coração das Trevas, Joseph Conrad
Retrato de uma Senhora, Henry James
Elegias de Duíno, Rainer Maria Rilke
Obra Poética, Sophia de Mello Breyner Andresen
Quando tudo se desmorona, Chinua Achebe
As Aventuras de Augie March, Saul Bellow
Poesia, Ungaretti
Ficções, Jorge Luis Borges
O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago
A Vida Modo de Usar, Georges Perec
Rayuela – O Jogo do Mundo, Julio Cortázar
As Ondas, Virginia Woolf
Lolita, Vladimir Nabokov
Debaixo do Vulcão, Malcolm Lowry
Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust
Auto-da-Fé, Elias Canetti, Cavalo de Ferro
Austerlitz, W. G. Sebald
Os Detectives Selvagens, Roberto Bolaño
Se Isto é um Homem, Primo Levi
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
Submundo, Don DeLillo

Pela internet fora, não faltou quem apontasse lacunas, falhas e ausências graves a esta lista, o que é perfeitamente compreensível. Qualquer lista de 50 títulos teria forçosamente lacunas, falhas, ausências graves, e não há nada pior do que uma lista unânime. Nesta, a preponderância vai para os clássicos, as obras que já passaram o teste do tempo e entraram para aquilo que se convencionou chamar o cânone ocidental. Mas também não nos coíbimos de fazer escolhas pessoais. A ideia foi lançar propostas de leitura que nos parecem válidas (e os livros até podem ser encomendados online na Wook, que aproveitou a boleia para os disponibilizar a preços especiais) mas não únicas.
Se quiserem prolongar o debate na caixa de comentários, são bem-vindos. Que livros acrescentariam e que livros retirariam da lista?



Comentários

13 Responses to ““50 livros que toda a gente devia ler””

  1. Carla on Agosto 27th, 2012 17:45

    Dez em cinquenta. Podia ser pior, podia ser muito melhor. Trocaria o ‘Ano da morte de Ricardo Reis’ pelo ‘Ensaio sobre a cegueira’ ou o ‘Memorial do Convento’. E por que não ‘Os Lusíadas’? Se devemos ler as maiores de Espanha e Itália, por exemplo, faz todo o sentido incluí-los. Digo eu.

  2. Nuno Martins on Agosto 27th, 2012 17:49

    Boas caro José Mário, também já vi a lista e opinei sobre a mesma no meu blog (http://oqueeuleio.blogspot.pt/2012/08/50-livros-que-toda-gente-deve-ler.html).
    Como digo no post que fiz sobre esta lista, já li onde 11 livros da mesma e possuo mais 14 mas que ainda não li (essencialmente o mais clássicos) o que perfaz metade da lista, a outra metade alguns não conhecia ou outros são livros de autores que já li, mas não os livros específicos da lista.
    Acerca da minha opinião pessoal acerca da lista pouco mudava, mas inseria sem dúvida “Os Lusíadas” (porque merece sem dúvida um lugar nesta lista, porque é um clássico e uma obra-prima da literatura) e retirava o “Madame Bovary” e talvez aumenta-se a lista com mais meia dúzia de livros, que acho que também mereciam lá estar…

  3. João Neto on Agosto 27th, 2012 20:14

    Eu trocaria as Confissões pelas Cartas a Lucílio do Séneca. A meu ver, um livro que merece muito mais ser lido no nosso tempo.

    De qualquer forma, agradeço-vos o esforço. Qualquer lista destas é parcial e reflecte muito quem a compila. E isso é importante para conhecermos obras novas.

  4. xico on Agosto 27th, 2012 23:06

    Não li todos. Dos que li trocava a Odisseia pela Ilíada. Não entendo as Memórias de Brás Cubas (é interessante, mas…) e acrescentava o Livro do Génesis, o evangelho de São João, O Cântico dos Cânticos e as cartas de Paulo (só porque acho uma tristeza o desconhecimento destes textos fundadores). Trocava os Maias por todos os do Camilo (tão necessário conhecer a verdadeira alma portuguesa em vez das caricaturas do Eça. Se há personagens queirosianas na sociedade actual há muito ainda do povo de Camilo). E se não quiserem entrar em quezílias nacionais, substituam Eça pelo Zola, donde ele espreitava.(O que querem? tenho tanta raiva ao Eça como admiração pela sua escrita luminosa e elegante)

  5. Edward Soja on Agosto 27th, 2012 23:06

    Olá,

    parece que sou o primeiro. Acrescentaria, dos poucos que ainda li (e daquela lista não chegam a dez…):

    A Peste, Albert Camus
    Assim Falava Zaratustra, Nietzsche (MAS com a tradução de Carlos Grifo Babo, antiguinha…)
    As Vinhas da Ira, John Steinbeck
    Aparição, Vergílio Ferreira (e esta, hein?, mas digam lá se não é um romance do camandro!),
    Memorial do Convento e Levantado do Chão, José Saramago (hesito entre estes dois, para o nosso Nobel…)

    Bem, venham mais propostas, consensos, dis-sensos e diz que sensos.
    :)

  6. A minha escolha | Bibliotecário de Babel on Agosto 27th, 2012 23:34

    […] “50 livros que toda a gente devia ler” […]

  7. Ricardo Assis on Agosto 27th, 2012 23:44

    Não há listas realmente boas, mas eu gosto sempre de espreitar todas. Nota-se que muitas escolhar são gostos bem particulares dos críticos.
    Eu trocaria vários dessa lista por As Cidades Invisíveis do Calvino, por exemplo. Trocaria o MacBeth pelo Hamlet, ou talvez deixasse os dois. Alguns livros, para mim, claramente não entrariam nem nos 100 melhores quanto mais nos 50, como o Submundo ou os detetives selvagens (até prefiro o 2666), apesar de gostar dos livros
    E, sinceramente, Os Maias e O Ano da Morte… estão na lista por causa da cota patriótica, por que nos 50+ e claro que não entram.
    Não acho que As Ondas seja sequer o melhor da Virginia Wolf, que As Aventuras de Augie March seja sequer o melhor do Bellow, antes de colocar O Processo colocaria A Metamorfose, etc, etc.
    Ao contrários de outros comentadores eu gosto muito (mesmo muito) do memórias póstumas mas, apaesar disso, também não o colocaria nos 50+.
    Enfim, há outros livros que pensei na altura e que agora já não lembro.
    É uma lista imperfeita, como todas estas listas, mas sempre vamos espreitando.

  8. João on Agosto 28th, 2012 7:58

    Acho que faltam alguns importantes do Cânone Ocidental, incluindo gigantes como Goethe ou Balzac, que são autores muito mais importantes que Bolaño ou Perec. Mesmo ficando pelo século XX, não considera Foster Wallace ou Pynchon mais interessantes que Bolaño?

    De resto, acho que podiam ter colocado alguns autores orientais (Li Bai, Basho ou Murasaki), até porque já estão traduzidos para português. Mas fico feliz por se lembrarem do meu querido Bellow :)

  9. katia weber on Agosto 28th, 2012 11:46

    Embora eu não tenha lido todos os clássicos que constam na lista do Expresso, envio algumas sugestões (a acrescentar ou a substituir) de algumas obras que li e releio:

    Giovanni Boccaccio, Decameron
    Geoffrey Chaucer, Contos da Cantuária
    Guy de Maupassant, Contos
    W.Somerset Maugham, Servidão Humana (e também O Fio da Navalha, “Collected Short Stories”… enfim, todos…)
    Branquinho da Fonseca, Bandeira Preta
    Miguel Torga, Contos da Montanha (e também Novos Contos da Montanha, Diários…)
    Bernardo Santareno, O Judeu (…O crime da Aldeia Velha, O Lugre, Os Marginais e a Revolução… enfim, todos)
    Graciliano Ramos, Vidas Secas
    Philip Roth, A Marca Humana

  10. Isabel on Agosto 28th, 2012 14:03

    Não referem um unico do Lobo Antunes… Eu escolheria o Fado Alexandrino.
    Acrescentaria, ainda, As Benevolentes, Cadernos de Dom Rigoberto, Capitães da Areia,

  11. margarida f. on Agosto 28th, 2012 17:11

    Trocava Perec por Calvino. Podia ser «Se numa noite de inverno um viajante».

  12. Tito Marques on Agosto 28th, 2012 22:42

    Eu incluiria “Grande Sertão: Veredas ” de João Guimarães Rosa

  13. joão viegas on Agosto 29th, 2012 16:22

    Mais um exercicio idiota, inutil e provinciano. Não ha mesmo meio de se falar em livros com a maturidade que devemos supor adquirida por quem gosta (e tem o habito) de os ler ?

    Listas ? Não me lixem. Se exceptuarmos as listas dos livros dos programas de ensino (que são o arquétipo do tipo de brincadeira a que se alude no post : Não leste este ? Olha, eu li, ua ua !) a unica lista que presta, por ser util, é a das compras a fazer no supermercado (a ver se desta vez não esqueço de comprar mostarda).

    Que tristeza !

    Boas apesar de tudo.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges