A Biblioteca Municipal de Viana do Castelo vista por Eduardo Pitta

«Vou com relativa frequência a Viana do Castelo, mas só há dois meses tive oportunidade de tentar visitar a nova Biblioteca Municipal, uma obra de Siza Vieira que representa um investimento de 4,5 milhões de euros, e acaba de receber o Prémio Nacional de Arquitectura Contemporânea da Associação Portuguesa de Municípios com Centro Histórico. (…) A minha curiosidade era grande. Em Setembro, saí de Afife com o propósito de a visitar. Visto de longe, o edifício impõe-se pela volumetria, embora os forasteiros não saibam exactamente onde acaba o bloco de cafés, bares e restaurantes e começa a biblioteca propriamente dita, instalada a seguir ao Tromba Rija. (…) E como é que o meteco sabe que aquilo é uma biblioteca? Ou, mais prosaicamente, como encontra a entrada principal? Em Setembro, no dia em lá fui, descobri com esforço uma folha A4, branca, presa com fita gomada ao vidro de uma porta. Havia vento, um dos cantos da folha estava solto, era preciso suster o papel para ler “Biblioteca” em Arial Black, corpo 18. A primeira reacção foi rir. Depois fiquei tão deprimido que desisti da visita. Fomos a correr para Vigo, dizer mal da pátria à mesa do Mosquito.»

Texto completo neste post do blogue Da Literatura.



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges