A conferência do Nobel

Este ano, a conferência do Nobel de Literatura não foi uma conferência. Por razões óbvias: desde 1990, quando sofreu um derrame cerebral, Tomas Tranströmer não consegue falar. Na quarta-feira, em Estocolmo, a habitual cerimónia de aceitação do prémio foi substituída pela leitura de 13 poemas de Tranströmer, nalguns casos com música a acompanhar (Wagner, Schubert e compositores suecos). O alinhamento do recital e a tradução dos poemas para inglês estão aqui.
Para a homenagem desta tarde, traduzi o primeiro dos poemas lidos:

MEMÓRIAS, OLHEM PARA MIM

Manhã de Junho, demasiado cedo para acordar,
demasiado tarde para adormecer de novo.

Tenho de sair – a paisagem verde é densa
de memórias, elas seguem-me com o olhar.

Não podem ser vistas, confundem-se completamente
com o cenário, são verdadeiros camaleões.

Estão tão próximas que consigo ouvir a sua respiração
embora aqui o cantar dos pássaros seja ensurdecedor.



Comentários

Comments are closed.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges