A nova Buchholz (uma antevisão)
«Isto é só uma antestreia, uma antevisão do que será a Livraria Buchholz», disse ontem ao fim da tarde Sérgio Moreno, porta-voz da Fundação Agostinho Fernandes, justificando o que todos os convidados já tinham percebido: as obras na nova livraria Buchholz Chiado (situada num edifício anterior ao terramoto, que foi outrora uma cavalariça e era ultimamente um armazém da livraria Sá da Costa) não chegaram ao fim a tempo da inauguração, marcada para as 19h00.
Verdade seja dita, quando na terça-feira passei por lá e vi o estado dos trabalhos, pensei imediatamente que aquela era uma missão impossível:
O empreiteiro garantiu que tudo estaria pronto a horas, mas já se sabe como é que estas coisas são. Os responsáveis pela livraria nunca deviam ter dado como adquirida uma previsão falível, porque sujeita a imprevistos, ainda por cima quando já havia uma data impressa nos convites. Depois, chegado o dia D, quando se tornou evidente que não havia margem para fazer as coisas como deve ser, improvisou-se, ao melhor estilo português. E de inaguração formal passámos a uma mera antevisão do espaço.
Ainda assim, louve-se o engenho da instalação. Os cabos das estantes que ficaram por montar, por exemplo, converteram-se em molduras e as prateleiras em elementos decorativos.
Eis a reportagem fotográfica:
Descontando estes sobressaltos, pouco desculpáveis numa estrutura profissional, importa sublinhar que o espaço é efectivamente lindíssimo (sobretudo o tecto com tijolo à vista, em abóbada). Na qualidade de amigo e antiquíssimo cliente (desde 1954), Jorge Silva Melo lembrou que a Buchholz «nunca foi propriamente muito arrumada» e que por isso os montes de livros empilhados até respeitam o espírito da livraria. Karin Sousa Ferreira, a alma mater do projecto, voltou a sublinhar que era apenas o espaço que se apresentava aos convidados, aproveitando para lembrar os momentos muito difíceis na vida recente da Buchholz (que esteve em vias de fechar) e o apoio salvador da Fundação Agostinho Fernandes, «a única que nos deu a mão». O arranque a sério da loja deve acontecer nos próximos dias e «em Janeiro começarão a chegar os livros importados (vindos da Alemanha, França, Inglaterra, Espanha e talvez da Itália)». Embora chegando atrasado, directamente de um compromisso no Algarve, o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, também ele um cliente de longa data, elogiou em Karin Sousa Ferreira «a persistência de uma actividade gloriosa: dar às pessoas o acesso à leitura». Pelo n.º 30 do Largo Rafael Bordalo Pinheiro passaram ainda, entre outros, o ministro Mariano Gago, José Pacheco Pereira, António Mega Ferreira e Marcelo Duarte Mathias.
Comentários
2 Responses to “A nova Buchholz (uma antevisão)”
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 29 de Dezembro de 2016
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- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 16 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 9 de Dezembro de 2016
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- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 18 de Novembro de 2016
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Esta história, sempre que a leio, deprime-me.
A D. Karen, obviamente, deve ser filha de um Conde, e considera receber ‘apoio’ um direito inalianável.
Aliás tudo isto fede a aristocracia. A loja aristocrata, os clientes aristocratas, o total divórcio da realidade do cliente (que é visto como apenas um mal necessário, pois está claro).
A Bucholz não é uma livraria, está visto, é uma casa senhorial.
Que precise de ser ‘salva’ por uma fundação, é o resultado do mundo ‘horrível’, não de incompetência, antipatia para com os clientes, preços exorbitantes. Longe disso. A Bucholz simplesmente é. O resto é conversa de plebeu (como eu).
Eu pessoalmente prefiro a meritocracia e terei todo o prazer em ver a Bucholz, se insistir em hostilizar clientes e manter a mesma atitude (como parece querer manter), ir à falência.
Talvez a fundação com dinheiro para esbanjar devesse ponderar uma mudança de liderança na livraria.
[…] de um arranque em falso, a Buchholz Chiado está finalmente […]