A propósito do post anterior

Não é a primeira vez que o Pedro Mexia se embrulha em «tautologias identitárias». Num post do desaparecido blogue Dicionário do Diabo, posto a salvo no volume Fora do Mundo (Cotovia, 2004), a questão já emergia em toda a sua complexidade:

TODOS OS NOMES

Furto-me a uma determinada comparência, alegando que outras pessoas representam bem melhor o tema em causa. Então dizem-me: “mas o Pedro Mexia é o Pedro Mexia”. Talvez inspirado pela leitura recente de uma antologia de E. M. de Melo e Castro, abro quatro hipóteses no que a esta frase diz respeito:
1) o Pedro Mexia é o Pedro Mexia
2) o Pedro Mexia é o “Pedro Mexia”
3) o “Pedro Mexia” é o Pedro Mexia
4) o “Pedro Mexia” é o “Pedro Mexia”
Vamos à análise:
1) o Pedro Mexia é o Pedro Mexia – uma tautologia identitária. Sou, sou eu, embora com uns auto-desentendimentos à Sá de Miranda. Neste sentido, a frase significa que eu, sendo eu, tenho que me portar como eu; acontece que Pedro Mexia só existe dada a existência de “Pedro Mexia”, o que me leva a descartar esta possibilidade.
2) o Pedro Mexia é o “Pedro Mexia” – o efeito da assinatura. Não é preciso ler Derrida para reconhecer razão a esta frase. Eu, Pedro Mexia, existo porque há um “Pedro Mexia” que poeta, critica e bloga. Sem o “Pedro Mexia” eu, Pedro Mexia, não teria qualquer relevância, ao ponto de não ser convidado para a tal comparência. Assim, o “Pedro Mexia” pode manietar à vontade o Pedro Mexia, uma vez que não existiria sem ele. Este sentido da frase confere, e assusta-me.
3) o “Pedro Mexia” é o Pedro Mexia – a tese da transparência. Como dissertarei em seguida, o “Pedro Mexia” não é o Pedro Mexia, porque o primeiro tem cuidado com a sintaxe e as aliterações, e o segundo é capaz de comer tremoços e ver televisão. Podem detestar o “Pedro Mexia”, mas esse ao menos tenta fazer as coisas bem feitinhas, ao passo que o Pedro Mexia é apenas um triste palerma. Hipótese errada, portanto.
4) o “Pedro Mexia” é o “Pedro Mexia” – a tautologia da assinatura. É uma coisa borgesiana: estou preso dentro do meu nome (do meu nome literário e profissional), não tenho existência civil, sou um títere do intelecto e da linguagem. Uma tese horripilante.
Limitei-me pois a responder: “Não sou nada”.



Comentários

2 Responses to “A propósito do post anterior”

  1. Pedro on Fevereiro 5th, 2009 16:00

    O Pedro Mexia a falar do nome dele. Muito interessante. Ainda bem que este texto foi posto a salvo.

  2. Tappie Tapi tu on Fevereiro 12th, 2009 20:17

    Pedro Mexia é o pior critico literário da actualidade.

    e arma-se mt em poeta.

    o Henrique Fialho do blogie Insónia é que diz mt bem qd instado a pronunciar-se sobre o último livro do Mexia:

    “não é mau…mas tb não é bom”.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges