Actrizes giras que lêem clássicos

marylin_ulisses

Em 1955, Eve Arnold captou esta célebre imagem de Marilyn Monroe a ler as páginas finais do Ulisses, de James Joyce. Na próxima sexta-feira, será a vez de Soraia Chaves desafiar os preconceitos e estereótipos, ao ler uma passagem de 2666 durante o lançamento do romance de Roberto Bolaño, na Livraria Ler Devagar/Lx Factory (a partir das 23h00). Além de uma tiragem especial de 150 exemplares do livro (exemplares únicos, com papel de cores diferentes para cada caderno e uma sobrecapa), haverá «margaritas, acepipes mexicanos, shots de chili con carne, música (uma banda sonora com mariachis, corridos, polcas, boleros)» e mais uns quantos leitores a partilhar com a audiência excertos das cinco partes que compõem 2666.



Comentários

21 Responses to “Actrizes giras que lêem clássicos”

  1. quandoforgrandequeroserdaquetzal on Setembro 21st, 2009 23:26

    Caro JMS, se você acredita piamente que a pobre da Marilina estava a acabar de ler o “Ulysses”, isto é, que o tinha lido TODO, então o êxtase da propaganda em causa própria apanhou-o de vez e até já nem duvida que a Soraia Chaves vá ler “excertos” do coitado do Bolaño (a quem as Soraias nunca sorriram porque não passava de um autor sem cheta) porque gosta do livro (e não porque lhe pagam principescamente para o fazer). Você, como jornalista e crítico, começa a cheirar, homem.

  2. quandoforgrandequeroserdasoraia on Setembro 22nd, 2009 0:15

    Se os livros são bons, as gajas têm que ser boas. A isto chama-se marquetingue.

  3. Gerana Damulakis on Setembro 22nd, 2009 1:18

    Por incrível que pareça, dado o preconceito (toda loura é burra), MM era uma grande leitora. As pessoas não podem ser vistas tão superficialmente, elas são complexas e cheias de facetas. Truman Capote atesta que MM lia bastante. Não consigo rotular pessoas de uma forma tão chapada, ela é assim, então não faz isso ou aquilo.
    Sucesso para Soraia Chaves, que ela leia de forma brilhante o grande escritor chileno.
    Em tempo: entendi que “gira” é um adjetivo elogioso, estou certa?

  4. Rui on Setembro 22nd, 2009 9:05

    Alguém me sabe dizer quanto custarão os 150 exemplares únicos? E já agora, aínda há quem queira o 2666 em espanhol?

  5. quandoforgrandequeroserochico on Setembro 22nd, 2009 9:44

    Ai meu deus, se a coisa não vende como “As Benevolentes”,… lá vai o Chico partir pedra para outro projecto do Círculo…

  6. quandoforgrandequeroserochico on Setembro 22nd, 2009 9:46

    “E já agora, aínda há quem queira o 2666 em espanhol?” Não é “aínda”, é “ainda”. E não é em “espanhol”, é em “castelhano”. E sim, há quem queira (até as edições americanas são mais baratas).

  7. quandoforgrandequeroserochico on Setembro 22nd, 2009 9:49

    Mas afinal… que ligação tem o crítico José Mário Silva à Quetzal que o envolva tão antecipadamente numa campanha de promoção (repito, promoção) de um livro de uma editora que está no mercado como todas as outras?

  8. Rui on Setembro 22nd, 2009 9:58

    Quanto à designação da língua, sugiro ao quandoforgrandequeroserochico-esperto que consulte o link http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=15443 antes de se apressar a fazer correcções. Tem, porém, razão no “aínda”, pelo que vos peço desculpa por poluir este espaço de comentários com os meus erros ortográficos. Presumo que estará interessado na edição em espanhol, certo?

  9. quandoforgrandequeroserochico on Setembro 22nd, 2009 10:55

    Já tenho a edição espanhola há muito. Está-me a ver com cara de quem engorda pançudos no Círculo de Leitores e críticos no Expresso?

  10. Luís Fonseca on Setembro 22nd, 2009 11:10

    Estou desempregado. Gosto muito de livros e de os ler.Nunca senti um desejo tão grande por um livro, a não ser aquando da compra do ” E tudo o vento levou “(Ed. Círculo de Leitores).
    Deixei de comprar no Círculo de Leitores e já não utilizo o cartão da FNAC. Só compro livros na Feira da Vandoma. A vendedora não tem troco de 5 euros, e deixa-me levar um livro com o compromisso de um dia, voltar, e pagar.
    Será que, alguém imbuído pelo espírito da campanha eleitoral, me pode oferecer o “2666”?

  11. Rui on Setembro 22nd, 2009 11:13

    Oferecer não, mas dispenso-lhe a edição em espanhol a troco de 10 euros. Contacte-me pelo e-mail neuronium_2000@yahoo.com

  12. Luís Fonseca on Setembro 22nd, 2009 11:44

    Obrigado. Já me inscrevi no Centro de Emprego para um curso de espanhol, mas só dentro de um ano é que tenho vaga.

  13. quandoforgrandequeroserochico on Setembro 22nd, 2009 11:58

    Ó homem, faça é um empréstimo à CGD para poder pagar o livro do Chico a prestações… E quem sabe: talvez deixem entrar desempregados (ou colectores de lixo, como o Bolaño foi) na festa caviar da Factory

  14. Ana Gomes on Setembro 22nd, 2009 12:06

    Comparar a Soraia Chaves com a Marilyn Monroe e o Ulysses com o 2666 dá toda a dimensão da patetice de certos críticos…

  15. salamandrine on Setembro 22nd, 2009 12:17

    Tem graça que a única comparação que apareceu até agora, saiu das palavras da Ana Gomes. Até então apenas tinham aparecido observações e informações.

    Também não comparo a Montanha Mágica com o Doutor Pasavento – aliá, raramente comparo livros -, mas não deixo de achar que são os dois grandes livros e os dois com grande importância na minha vida. Se apenas é capaz de dar importância aos canonizados pelo Santo Ofício da Literatura, a perda é, certamente, sua.

  16. alexandre on Setembro 22nd, 2009 13:25

    mas desde quando é que a soraia chaves é uma miúda gira? não sei se é de mim, mas sempre que a vejo, penso “transgender”.

  17. salamandrine on Setembro 22nd, 2009 13:31

    LOL

    tendo a concordar. o eterno trejeito da boquinha faz-me pensar se a ler também o vai conseguir manter 😉

  18. Luís Fonseca on Setembro 22nd, 2009 13:40

    « Naquele momento, teria sentido uma alegria muito enganadora ao pensar que o meu desejo, a satisfação do meu desejo forneceria uma prova evidente da minha impossibilidade de sentir o amor. Mas a carne traíu-me: aquilo que o meu espírito queria, o meu corpo fê-lo no seu lugar. Achei-me desta maneira perante uma nova contradição. Falando um pouco vulgarmente, diria que, convencido de nunca vir a ser amado, limitara-me a sonhar acerca do amor; e que, finalmente substituira o amor pelo desejo, facto que me trouxera a paz. Mas subitamente descobri que o próprio desejo exigia de mim o esquecimento das minhas condições de vida, o afastamento da única barreira entre o amor e eu: a certeza de nunca vir a ser amado. Julgara o desejo uma coisa muito mais límpida do que é na verdade, não suspeitara minimamente de que ele nos obrigava, por muito pouco que fosse, a ver-nos sob uma luz de sonho.»

    Excerto de ” O Templo Dourado “, de Yukio Mishima, Trd. Filipe Jarro, Ed. Assírio e Alvim, 1985

  19. alexandre on Setembro 22nd, 2009 13:49

    isto, claro, esquecendo a desfaçatez que é
    apodar a soraia chaves de acrtiz. é que, na realidade portuguesa, em termos de “actores” e “actrizes” só aparece no boneco quem é “modelo” ou coisa quejanda

  20. Jonas on Setembro 22nd, 2009 15:24

    Como é que se escreve bowlling em português? Depois de tantas bolas, estão ainda todos os pinos de pé.

    Não é justo estar a comparar a MM com a SC, vá, têm ambas dois bracinhos, por aí sim, mas comparar beleza e talento para representar seria como colocar em duelo o senhor Átila o Huno com um soldado americano blindado com toda a tecnologia bélica actual (alguns entenderão que nesta metáfora é aqui que encaixa a MM, pois…), como no mote foi feita alusão aos “clássicos”, há esta tendência frequente e humana para depreciar quem é ainda vivo ou quem morreu há pouco tempo, perante quem já morreu faz muito tempo.

    Ora, e acercando-me só do papel, acredito que muito poucos de nós já terão lido o 2666 (em espanhol ou em inglês, ou até noutra língua) para termos uma sustentação sólida para falar barato, e aventuro que menos ainda terão já lido o Ulisses de fio a pavio sem batota, entendendo perfeitamente a coisa, sem intervalos de semanas ou meses.

    Aqui vai a minha bola, parece-me que também ao lado dos pinos.

  21. Rui on Setembro 22nd, 2009 15:27

    Eu acho a Soraia Chaves bastante gira. Mas isso sou eu…

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges