Adeus, Lhasa
Confesso que ainda estou em estado de choque. No café barulhento da Graça, cheio de conversas, tilintar de chávenas e catarros, atendo o telemóvel e dizem-me que a Lhasa morreu. «A Lhasa quê?» O ruído à minha volta é tremendo, devo ter percebido mal. A Lhasa morreu, repetem-me. A Lhasa de Sela morreu. Aquela rapariga da minha idade, vozeirão fenomenal, cantora subtil e poliglota, a llorona que cantou algumas das canções mais belas que pude ouvir na primeira década deste século, morreu na sexta-feira, mesmo à entrada de 2010. Agora, pela notícia do Público, fico a saber que lutou, durante 21 meses, contra um cancro da mama. Que lástima. Que tristeza tão grande.
Recordo-me bem do concerto que deu na Aula Magna, em Lisboa, a 6 de Dezembro de 2004. Um concerto magnífico. Lhasa era, além de uma cantora de rara intensidade emocional, um animal de palco. E subjugou-nos a todos, espectadores daquela noite memorável.
Deixa um disco genial (La Llorona, 1998), um muitíssimo bom (The Living Road, de 2003, que pus a tocar no sábado à noite, sem saber ainda da sua morte) e outro apenas bom (Lhasa, 2009). Uma obra curta mas que se transformará com o tempo, acredito, em objecto de culto. Como a de Jeff Buckley.



Pesquisando no YouTube, encontrei registos de algumas das minhas canções preferidas de Lhasa.
Do primeiro álbum, De cara a la pared:
Do segundo, Con toda palabra:
E do último, I’m going in:
Que lástima. Que tristeza tão grande.
Comentários
4 Responses to “Adeus, Lhasa”
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Que tristeza quando os artistas morrem cedo, perde-se tanto…
uma das cantoras preferidas da minha melhor amiga.
eu, apesar de conhecer pouco, insisto em explorar o que andei a perder até agora…
mas há pessoas que não deveriam morrer.
Alíás nunca morrem. Pelo menos enquanto houver memória…
desde Homero a Lhasa.
csd
[...] aqui, acabo de saber, da morte de Lhasa de Sela. Foi aos 37 anos, de cancro na mama. Não vivemos, que [...]
Que transcenda a condição de efeméride.
Vejo-a desaparecer numa curva apertada da estrada viva.
Não me ouvirás, mas estou-te fundamente reconhecido pelos momentos de eternidade.
Enquanto for vivo, não te deixarei morrer.