Afinal chama-se iPad

Eis o gadget mais esperado do ano (ou da década?), apresentado há umas horas por Steve Jobs, CEO da Apple, em São Francisco:

É o que se esperava: uma espécie de iPhone gigante, a meio caminho entre um smartphone e um computador portátil. O modelo mais baratinho (16 gigas) custará 499 dólares; o mais caro (64 gigas), 699 dólares. Estará disponível em Abril.
Entre muitas outras coisas, o iPad vai ser um leitor de livros electrónicos. Ou seja, um sério rival para o Kindle, para o Sony Reader e restante concorrência. Para já, Jobs aponta duas vantagens sobre o Kindle: o ecrã a cores e uma loja (iBook Store) com muitos milhares de títulos disponíveis, seguindo a lógica do iTunes.
Eis um vídeo com um excerto da conferência de imprensa (a qualidade da imagem é má):

E o vídeo oficial da Apple sobre o seu novo brinquedo:



Comentários

3 Responses to “Afinal chama-se iPad”

  1. Pedro Pinheiro on Janeiro 27th, 2010 23:55

    A grande questão será a qualidade da leitura em cada um dos aparelhos. Com o Kindle temos a tecnologia E Ink que aproxima mais a experiência a um livro real. Com o iPad temos um LCD IPS que dificilmente tornará uma leitura regular e prolongada agradável.

    Penso que temos de esperar por algumas análises para saber se o iPad pode ser uma alternativa igualmente agradável no campo da leitura. Na minha opinião essa é a caracteristica principal deste aparelho e caso a leitura seja agradável as possibilidades que se abrem são imensas. Só de pensar nos usos educacionais que o iPad pode ter…

  2. webdreamer on Janeiro 28th, 2010 0:40

    Já foi aqui dito. Mas tinha que repetir, porque acho mportante: esta coisa não serve para ler. Já existem muitas coisas iguais ao que a Apple apresenta agora, e estão previsto inúmeros lançamentos idênticos ao longo do ano, muitos com características melhores.

    O Kindle e o Sony Reader e os outros ebook readers usam o eInk, o que significa um ecrã que se aproxima muito do papel, e não funciona através da emissão de luz como fonte do ecrã (como no caso do LCD usado na maioria dos monitores, nos portáteis, e em aparelhos como este iPad). Isso quer dizer que o ecrã funciona muito bem em sítios que têm muita luz, por exemplo ao ar livre, o que não acontece com este tipo de ecrãs, além de provocar a tensão de alguns músculos oculares.

    Há uma empresa a Pixel Qi (não sei se será esta a grafia, mas o nome é assim ou parecido) , que está a produzir um ecrã que funciona como um híbrido. Quando a luz do ecrã está ligada funciona como um LCD, a cores, quando está desligada como um ecrã tipo eInk. Uma solução desse género seria realmente uma melhoria. Assim é só um iPhone gigante que não serve para telefonar, nem para filmar ou gravar fotografias, nem para ler… Enfim, na minha opinião, serve essencialmente para gastar dinheiro.

    Em relação ao comentário anterior, tenho também uma coisa a dizer: as escolas públicas estão recheadas com recém adquiridos quadros electrónicos, sensíveis ao toque, que os professores não sabem usar como um bem acrescentado. Usam-nos como quadros normais, mas alardeiam o seu uso (que nada acrescenta) para ter a nota máxima no “uso de novas tecnologias” conforme à nova avaliação. Os professores têm muitas ferramentas modernas que os poderiam ajudar a interessar mais os alunos, que poderiam ter aplicações educacionais com utilidade no exercício da sua profissão. Algumas dessas ferramentas são bastante poderosas, mas não foi dada qualquer formação para o seu uso e, como tal, não tem qualquer significado em termos de evolução tecnológica, porque não há qualquer evolução na elaboração da tarefa, apenas se escreve no quadro interactivo como se tratasse de uma ardósia. Talvez a única vantage que se sinta de momento seja as mãos ficarem limpas de giz. O que é pouco…

  3. Pedro Pinheiro on Janeiro 28th, 2010 1:29

    webdreamer,

    Quando falava em termos educativos não me estava a referir à forma de dar aulas mas, principalmente aos manuais escolares (com particular incidência no ensino superior). A transposição dos manuais e livros técnicos para formato digital tem sido residual e um dos grandes problemas é a falta de cor. Uma solução como o iPad (desde que assegurada uma qualidade de leitura elevada, o que possivelmente não acontece) permite não só a inclusão de cor como a adição de vídeos e animações (como se começa a ver em alguns livros técnicos de nível universitário) o que, na minha opinião, iria revolucionar o modo como os estudantes estudam.

    Uma solução como o iPad apresenta ainda a vantagem de poder ser utilizado nas aulas como modo de tirar notas e mesmo preparar alguns trabalhos (vejamos o caso de actividades experimentais onde a folha de cálculo é, muitas vezes, um elemento essencial) sem ser necessário carregar um portátil e tendo todos os livros técnicos sempre presentes.

    O universo das aplicações a serem criadas é virtualmente infinito e poderia-nos reservar algumas surpresas bastante agradáveis. Basta ver o que aconteceu com o iPhone.

    Quanto às suas críticas à falta de mudança de paradigma na forma de dar aulas e à falta de formação dos docentes… não tenho nada a acrescentar. Infelizmente por estas terras existe o hábito de começar as casas pelo telhado e parece ser mais fácil fornecer os meios técnicos (ainda que, pela amostra que tenho, eles não sejam tão numerosos quando nos levam a pensar) do que formar os educadores para aproveitar todas as vantagens que as novas tecnologias podem trazer para o ensino.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges