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Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’

- Aluimentos, de Bénédicte Houart (Cotovia), por António Guerreiro
- Glória e Eternidade, de João Almeida (Teatro de Vila Real), por Manuel de Freitas
- Luz Indecisa, de José Mário Silva (Oceanos), por António Guerreiro
- Livre Arbítrio, de Tiago Araújo (Averno), por António Guerreiro
- Algumas das Palavras – Poesia Reunida 1956-2008, de Fernando Guimarães (Quasi), por Álvaro Manuel Machado
- À Espera de Godinho, de Amadeu Lopes Sabino, Manuel Paiva, José Morais e Jorge de Oliveira e Sousa (Bizâncio), por Ana Cristina Leonardo
- Ascensão do Dinheiro – Uma História Financeira do Mundo, de Niall Ferguson (Civilização), por Luís M. Faria



Comentários

9 Responses to “Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’”

  1. Jorge Melícias on Maio 9th, 2009 15:12

    O crítico oficial da Averno não deve ser um desses “leitores mais atentos” a que o próprio faz alusão numa das três colunas a que tem direito no último “actual”. Se fosse esse o caso facilmente teria percebido que o livro abordado se trata, não do primeiro, mas do terceiro livro de Tiago Araújo. Compreendo que um poeta apenas se faz poeta ao engrossar as fileiras da Averno mas, ainda assim, só reverteria a favor do crítico mencionar, en passant, os livros publicados nas quasi.
    Não sei se isto lhe diz a si, de algum modo, respeito, uma vez que por aí os alcaides passam mas a coutada permanece. Como não sei se lhe diz alguma coisa o facto de ter um livro seu recenseado nas páginas que coordena. Talvez o Sr. precisasse disso mas a já tão fragilizada crítica literária jornalística seguramente dispensava.

    • Liv on Maio 9th, 2009 18:00

      Este Melícias é mesmo mauzinho. Nem parece ter nome de padre.

      • anadias on Maio 10th, 2009 12:58

        é mauzinho mas trata as coisas pelo nome.

        • juao on Maio 10th, 2009 14:41

          tem toda a razão, é estranho aliás não haver muito mais indignação

          • João Rasteiro on Maio 10th, 2009 23:00

            Na verdade é muito estranho que se olvide dois livros, para mais, publicados nas Quasi, que actualmente não é propriamente uma editora desconhecida. Claro que publicar na Averno será outra coisa, penso eu de que!
            Quanto a juiz em causa própria, hoje em dia, neste país de poetas e escritores, penso que é o que mais existe por aí, quer seja ao nível da crítica, dos prémios literários (e a rotação anual do prémio pelos jurados que também “dançam” nessa rotação), das “camas”, dos festivais e outras coisas mais!!!
            MAS, viva a poesia…essa doce maresia…portuguesa!!!!!!!!!!
            Abraços poéticos.
            j.r.

            • umgajoqualquer on Maio 11th, 2009 11:46

              Eu acho que o José Mário Silva só ainda não respondeu aos comentários acima por uma questão de pudor. Não quer alimentar polémicas, o que é legítimo. Mas devia, em nome da verdade e do bom senso, chamar a atenção para duas ou três coisas que são evidentes a quem não está cego pela má-fé (ou a quem foi, como eu, ver a edição do suplemento Actual do passado sábado para tirar as suas próprias conclusões e não falar de cor). Quem tenha visto com atenção as páginas dos Livros do Actual terá reparado nisto:

              1) o JMS é o coordenador da secção mas quem assina a coordenação, desta vez, é Jorge Araújo, por sinal o editor do caderno e seu superior hierárquico (Jorge Melícias dirá que é um subterfúgio, mas factos são factos e a verdade é que JMS não coordenou a secção neste número, nem de resto escreveu o seu habitual texto semanal);

              2) a recensão ao livro ‘Luz Indecisa’ surge no contexto de uma dupla página consagrada à poesia portuguesa de autores novíssimos, publicada nas últimas semanas, o que desde já se saúda (quatro-recensões-quatro a livros de poesia, mais uma na página seguinte, sobre Fernando Guimarães, devia ser motivo de gáudio e não de ataque). Fazer um panorama da poesia contemporânea publicada recentemente e não referir ‘Luz Indecisa’ seria no mínimo estranho e a “presença” do livro far-se-ia notar por omissão;

              3) a crítica ao livro é feita por António Guerreiro, talvez o melhor e o mais sério dos críticos literários portugueses, e sem dúvida um dos mais honestos. O texto é tudo menos uma prosa de favor ou um elogio fácil; é antes uma análise séria, feita com o rigor e a exigência habituais (basta ver que apesar de globalmente positiva, Guerreiro não deu ao livro mais do que três estrelas, de resto a nota mais baixa dos cinco livros considerados nesta edição). Insinuar qualquer favorecimento é pois, em meu entender, e repito, um gesto de má-fé. E digo isto à vontade, porque nunca vi o José Mário Silva na vida, nem comuniquei com ele. O que dele conheço é o que escreve na imprensa e neste blogue. Das duas, uma: ou acreditamos na honestidade intelectual das pessoas, ou não acreditamos. No caso de José Mário Silva e de António Guerreiro, qualquer insinuação de compadrio ou manipulação parece-me não só factualmente errada (leiam o ‘Actual’, por favor, vejam o que lá está) como extraordinariamente injusta e maldosa.

              Tenho dito.

              • ana m. gonçalves on Maio 11th, 2009 13:28

                Francamente, acho estas discussões em torno da publicação, nos jornais, de críticas literárias sobre livros de “alguém da casa” um perfeito disparate. Não vejo onde é que está o mal, desde que as mesmas sejam feitas com o devido rigor e honestidade intelectual. Um autor que também é jornalista ou crítico não deve ser beneficiado por causa disso, mas também não deve ser prejudicado por causa disso.
                A propósito, recordo as lúcidas palavras de Francisco José Viegas no editorial do último número da revista Ler:

                “Nesta edição, Carlos Vaz Marques entrevista José Eduardo Agualusa. Seria absurdo se um dos melhores escritores da nossa língua não fosse escutado a propósito do seu novo romance (…), como se devesse ser penalizado pelo facto de ser colunista da LER. O leitor, ao folhear as páginas da revista, sabe que não só não há assuntos proscritos como não há nomes proibidos. Ao longo dos seus 23 anos de existência, a LER soube manter-se independente; ninguém é objectivamente favorecido por ser colaborador da revista – e ninguém devia ser prejudicado por esse mesmo motivo.”

                • Jorge Melícias on Maio 11th, 2009 15:20

                  umgaijoqualquer

                  Que o Sr. consiga ver em todo este assunto algo que remotamente se assemelhe ao pudor é algo que me ultrapassa largo. Estou ciente que a coordenação da secção de livros deste número do “actual” foi assinada por Jorge Araújo (ao contrário do que se passou na anterior e do que, mais que provavelmente, se passará na próxima). Mas uma coisa é tentar circunscrever-me ao factos, procurando não julgar intenções, outra bem diferente é, alegremente, fazer que não vi e assobiar para o lado. Que o Sr. consiga ler neste “subterfúgio” (como acha que eu lhe chamaria) mais que o simples facto de tentarem “tomá-lo por parvo”, isso inscreve-se no domínio da fé.

                  Quanto ao 2º ponto que aborda alguns reparos. Não é a poesia portuguesa de autores novíssimos que foi abordada mas sim a poesia portuguesa de alguns autores novíssimos. E isto é o que vem estando desde sempre em causa quando se fala de crítica de poesia em jornais e, muito particularmente, no “actual”. Não sou indiferente às limitações logísticas com que a secção de livros do suplemento cultural de um jornal de grande tiragem se deve debater, nem sou sequer ingénuo ao ponto de pensar (nem isso defendi nunca) que uma triagem não seja imperativa e que essa triagem, por força das circunstâncias, seja entregue aos críticos residentes. Mas porque se trata de um jornal (onde a noção de serviço público deveria estar, ainda assim, bem presente) acredito que uma maior abrangência estética e uma muito maior desvinculação editorial seria, no mínimo, desejável. Por vezes tenho a sensação que seria mais honesto entregar de vez o caderno de livros do “actual” ao António Guerreiro e ao Manuel de Freitas. Assim passaria a ser o caderno de gostos e afinidades estéticas de António Guerreiro e de Manuel de Freitas. Nada de errado, desde que não se procure fazer passar isso por algo mais do que realmente é. Se um dia estiver para aí virado atente na quantidade de recensões de António Guerreiro a livros de poesia da Averno ou do Teatro de Vila Real (e, como é notório, as linhas e catálogos destas editoras confundem-se, para o bem e para o mal, muito uma com a outra). Talvez encontre, sem grande boa vontade, uma desconcertante predominância destas abordagens críticas.
                  É que (e isto talvez seja uma novidade para si) a poesia portuguesa não se esgota na Averno, no Teatro de Vila Real ou mesmo na Cotovia. Existe muito boa gente, do norte ao sul do país, com projectos válidos, a pôr cá para fora (sabe deus, a maior parte das vezes, com que dificuldades) boa poesia. Talvez não seja a da cor do António Guerreiro, mas a cor do António Guerreiro não esgota, por muito que ele queira, o espectro.

                  • juao on Maio 11th, 2009 18:41

                    não interessa se o josé mário silva é ou não criticado.. o que está em questão é isto:

                    “Compreendo que um poeta apenas se faz poeta ao engrossar as fileiras da Averno mas, ainda assim, só reverteria a favor do crítico mencionar, en passant, os livros publicados nas quasi.”

                    e isto:

                    “É que (e isto talvez seja uma novidade para si) a poesia portuguesa não se esgota na Averno, no Teatro de Vila Real ou mesmo na Cotovia.”

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