Basicamente, a literatura é um ofício perigoso (diz Bolaño)
Não deixa de ser bizarro, isto de receber um e-mail enviado por um escritor morto. Ao clicar na mensagem de Roberto Bolaño (2666bolano@gmail.com), deparei com uma lúcida declaração de intenções do autor de 2666, esse magnum opus com edição portuguesa prevista para breve:
«¿Entonces qué es una escritura de calidad? Pues lo que siempre ha sido: saber meter la cabeza en lo oscuro, saber saltar al vacío, saber que la literatura básicamente es un oficio peligroso. Correr por el borde del precipicio: a un lado el abismo sin fondo y al otro lado las caras que uno quiere, las sonrientes caras que uno quiere, y los libros, y los amigos, y la comida. Y aceptar esa evidencia aunque a veces nos pese más que la losa que cubre los restos de todos los escritores muertos. La literatura, como diría una folclórica andaluza, es un peligro.»
O excerto faz parte do Discurso de Caracas, lido por Bolaño no momento da atribuição do prémio Rómulo Gallegos, em 1999. A versão integral está disponível aqui.
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Gostei imensamente do trecho, é isto mesmo que sinto: de um lado o precipício, do outro, o cotidiano.