Bibliografia recomendada para o jogo de hoje (a posteriori)

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Foi bonito. A selecção portuguesa, grata pela hospitalidade dos suíços, fez tudo o que estava ao seu alcance para que os anfitriões do Euro 2008 saíssem de forma airosa. Para começar, deixou no banco oito-onze-avos da equipa principal. Depois, vendo que mesmo assim o seu futebol era muito superior ao dos adversários, refinou os procedimentos: Nani fez pontaria à barra e ao poste, Postiga marcou um golo limpo no mesmo segundo em que comunicava por telepatia com o árbitro auxiliar (levando-o a assinalar um fora-de-jogo inexistente), Pepe deu um passo atrás para tornar válido o primeiro golo de Hakan Yakin e até Meira esticou a perna para fazer penalty a poucos minutos do fim, confirmando a derrota.
A seu modo, Robert Walser teria gostado desta história de amor em que é o abandonado, eufórico, a festejar o seu abandono.



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges