Biblioteca Nacional adquiriu parte do espólio de Luiz Pacheco

Eis o comunicado da BNP:

«A Biblioteca Nacional de Portugal informa que adquiriu, através do exercício do direito de preferência, um significativo conjunto de 158 documentos autógrafos do escritor Luiz Pacheco (1925-2008), num leilão realizado ontem, 25 de Novembro, em Lisboa, com financiamento assegurado pelo Fundo de Fomento Cultural.
Na véspera da abertura ao público da exposição promovida pela BNP, intitulada “Luiz Pacheco: 1 Homem dividido vale por 2“, coordenada por Luís Gomes, evocativa deste escritor caprichosamente marginal, foi também possível obter, nesse mesmo leilão, o raríssimo folheto Azabel ou o Bode que está entre nós, texto designado pelo próprio autor como “tragédia-bufa”, assinando como Delfim da Costa.
Luiz Pacheco notabilizou-se não só como escritor, mas também enquanto corajoso editor, responsabilizando-se por dar à estampa criteriosas edições de reduzidas tiragens, o que é devidamente assinalado no duplo catálogo homónimo, também organizado por Luís Gomes, e editado conjuntamente pelas Publicações D. Quixote (grupo editorial Leya) e pela BNP.
Em breve, as 92 cartas enviadas a vários dos seus amigos, como Mário Cesariny (36), António José Forte (17), Artur Ramos (3), Fernando Ribeiro de Mello (2), Máximo Lisboa (3), Edite Soeiro (2), Cunha Gonçalves Zetho (12) ou Irene Rodrigues (12), assim como o conjunto de 28 textos originais, manuscritos e dactilografados, alguns deles inéditos, deste autor que se classificava como “neo-abjeccionista”, bem como 11 provas tipográficas abundantemente anotadas e emendadas, a que acresce ainda alguns documentos relativos a entrevistas e artigos de crítica literária, integrarão o acervo da BNP.
O poeta, prosador, crítico e editor da Contraponto, agora homenageado pela BNP, viveu afastado dos autores da época considerados consagrados, enveredando pela boémia e libertinagem que lhe valeu ser apelidado de escritor maldito. Amigo de surrealistas e posteriormente inimigo de alguns, deixou inúmeros amigos e admiradores.»



Comentários

One Response to “Biblioteca Nacional adquiriu parte do espólio de Luiz Pacheco”

  1. Luís Graça on Novembro 30th, 2009 12:35

    Fui ao lançamento do 22 da revista “Faces de Eva” e vi o material a chegar. Infelizmente não estava com tempo para “espreitar” com mais calma. Mas já deu para abrir o apetite.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges