Bibliotecário de Babel na Antena 2

Esta tarde, a partir das 16h00, vai para o ar na Antena 2 (frequência 94.4, em Lisboa) uma entrevista que dei ao Luís Caetano, inserida no programa A Força das Coisas. Além de livros em geral, e do Efeito Borboleta… em particular, a conversa aborda o primeiro ano de actividade deste blogue e a importância da blogosfera na divulgação crítica do que se vai publicando em Portugal.
Logo a abrir, o Luís pediu-me para ler uma das histórias mais curtas do meu livro. Esta:

PARAÍSO PERDIDO

Após vários meses de triagem (os candidatos foram mais de 20.000), a produção de Paraíso Perdido escolheu por fim os dois únicos participantes – um homem (A) e uma mulher (E) – do mais aguardado programa televisivo dos últimos anos. Transportados de helicóptero, com uma venda nos olhos, A e E foram deixados numa floresta virgem, algures no interior de uma ilha do Pacífico, exactamente como vieram ao mundo: nus, frágeis e desprotegidos. Um número não especificado de câmaras e microfones, montados nos sítios mais improváveis (raízes, lianas, quedas de água, formigueiros), captam, 24 horas por dia, o mínimo gesto ou sussurro do agora célebre par. A saga começou há uma semana mas as audiências têm sido decepcionantes. A e E quase não falam e pouca gente acredita que o amor possa nascer assim, de geração espontânea, no meio da selva. Ontem, os responsáveis pelo programa tomaram a medida que se impunha. Numa conferência de imprensa, anunciaram que a serpente (uma píton com sete metros de comprimento) já está a caminho.



Comentários

2 Responses to “Bibliotecário de Babel na Antena 2”

  1. A força das coisas (em ficheiro WMA) | Bibliotecário de Babel on Janeiro 29th, 2009 16:54

    […] está disponível, no site da Antena 2, a entrevista que dei ao Luís Caetano. O ficheiro áudio pode ser ouvido […]

  2. Maninha on Janeiro 30th, 2009 22:20

    Gostei bastante do livro, pela forma económica como transmite a mensagem. “Cama” é uma das histórias preferidas :)

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges