Blow up
Há coisas incríveis. Por exemplo, a quantidade de informação que se pode extrair de uma só fotografia. E não é preciso ir aos extremos de Antonioni (que se serviu dos extremos de Cortázar). Basta observar com um pouco mais de detalhe a fotografia do valter hugo mãe que ilustra o post anterior. Se forem curiosos como eu, não se ficarão pelo rosto do escritor: olhos fechados e aquela espécie de aura à volta da cabeça (talvez feita de palavras entornadas). Se forem curiosos como eu, tentarão adivinhar que livros tem o valter na sua estante. Pois bem, aquelas lombadas não enganam: são sobretudo livros de poesia (vários da Assírio, dois da Gótica). Espera aí, espera aí. Da Gótica? Aproximo a cabeça do ecrã, inspecciono mais de perto a imagem e a dúvida dissipa-se. Sim, senhor, conheço perfeitamente aquele livrinho cor-de-tijolo. Identificá-lo-ia num armazém às escuras, se fosse preciso, como as mães identificam os filhos pela forma de um pé ou a curva de um ombro. É o Nuvens & Labirintos. E assim descubro (melhor, confirmo) que o valter tem (ou teve) o meu livro numa prateleira da sua biblioteca, junto à qual se deixou fotografar um dia.
O mais engraçado é que eu já tinha visto esta fotografia do Nelson d’Aires várias vezes, sem nunca me aperceber que o meu livro também estava ali a olhar para mim, razoavelmente bem escondido no meio dos outros.
Comentários
4 Responses to “Blow up”
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- Os reflexos do mal em 19 de Maio de 2012
- O que aí vem (Esfera do Caos) em 19 de Maio de 2012
- Camané no ‘Avenida de Poemas’ em 18 de Maio de 2012
- Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’ em 18 de Maio de 2012
- Juan Marsé: “Ao romancista não basta a realidade, ele tem de ir sempre um pouco mais além” em 18 de Maio de 2012
- Cinco poemas de Liberto Cruz em 17 de Maio de 2012
- A pirâmide alimentar dos escritores em 17 de Maio de 2012


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[...] Blow up [...]
eu diria que são as prateleiras da Index, uma livraria do Porto… só o vhm pode deslindar a coisa
É um jogo a que também eu me dedico, e já tenho encontrado o teu “filhote” (literal ??!?) em várias bilbiotecas pessoais.
Também tenho esse hábito instintivo, mas não me parece q seja o teu livro, Zé Mário. Parece-me antes o “Terra sem Mãe” de Ana Marques Gastão.
Explico: comparando a lombada com um outro da mesma colecção mesmo ali ao lado e perfeitamente identificável (“Imagias” de Ana Luísa Amaral), podemos constatar q é substancialmente mais fino, sendo q o da ALA é apenas um pouco mais largo q o teu. Quanto à cor: o referido livro está em zona de sombra, o q escurece a cor original. Alkém disso, uma eventual arrumação alfabética por autores favorece a minha teoria. Sim, trata-se apenas de uma teoria; as teimas podem ser tiradas com o proprietário da biblioteca.