Bradbury versus Rilke
«Lavei os dentes e voltei para a cama. Li algumas páginas de Bradbury sobre marcianos. Meu bom Bradbury, companheiro das estrelas, filho de Deus esquecido na Terra, a que bolsos sem fundo vais buscar os teus tostões de poesia? Peguei a seguir num livro de poesias de Rilke, mas comecei a sentir as pálpebras pesadas. Não me iludi. Para mim, sentir as pálpebras pesadas não é a certeza de dormir. Muitas vezes, fico de olhos fechados, esperando que o sono venha, muito quieto, para que o sono me surpreenda. Continuei a ler Rilke como quem lê fórmulas de medicamentos ou um jornal às avessas. A certa altura, pressenti que o sono chegava. Lá vem ele, o velho e renitente amigo, o estupor.»
[in Mão Direita do Diabo, de Dennis McShade, Assírio & Alvim, 2008]
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2 Responses to “Bradbury versus Rilke”
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Rilke é bom, concordo, mas prefiro Valium.
Li “O que diz Molero” e gostei imenso. Queria tanto traduzi-lo para italiano. Tentei contactar a editora para saber dos direitos, mas nem respondeu. Alguém pode me dar o contacto de Dinis Machado ou dar-lhe o meu?
obrigada
Guia