Capa portuguesa de ‘O Filho Eterno’
O Filho Eterno, de Cristovão Tezza, é o mais premiado romance brasileiro dos últimos tempos (ganhou, entre outros, o Jabuti para Melhor Romance e o Prémio PT de Literatura). A Gradiva vai editar o livro em Portugal e os primeiros exemplares estarão nas livrarias já no próximo dia 20. A capa é esta:
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7 Responses to “Capa portuguesa de ‘O Filho Eterno’”
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[...] Capa portuguesa de ‘O Filho Eterno’ - Veja como os nossos irmãos lusos verão o celebrado livro de Tezza nas livrarias de além mar [...]
Para não variar, mais uma capa miserável dentro daquilo que nos é habitual.
Mas também basta ver o que se consideram boas capas, no post sobre os prémios Blogtailors, para nos resignarmos com esta total sensaboria e piroseira que é a apresentação gráfica de um livro em Portugal.
Off with their heads!
Trata-se de uma capa bastante adequada para este livro… Livro extremamentre sobrevalorizado por júris que se deixam chantagear com facilidade e sem discernimento.
Esta capa ficaria melhor num livro de algum psicólogo a falar de “afectos” ou de pais e filhos. É uma capa demagógica, parece-me. E muito feia.
A capa é terrível, mas julgo que a editora está a jogar em dois campos: os que acompanham a cena literária e conhecem a importância desses prémios não fugirão à compra por causa da capa; e pode ser que ela atraia outros compradores que de outro modo nunca espreitariam tal livro (chamemos-lhes leitores “Xis” em homenagem à defunta revista que congregava todas as pieguices “new age”).
Dito isto, li o livro de Tezza na edição brasileira (capa vermelha, sem bonecos, só o título e o nome do autor), e já antes lera, sempre com muito gosto, outros livros dele, como “O fotógrafo” e “Uma noite em Curitba”. Tezza tem a capacidade, nada comum nas letras lusófonas, de combinar descrições límpidas, sem arroubos de retórica, com uma narrativa realista e fluida da vida mental das personagens. São romances mais do pensamento do que da acção. Não é natural que um tal estilo granjeie grande popularidade, pois exige leitores com alguma sofisticação. A menos que Tezza se transforme num daqueles autores de culto que muitos compram mas poucos lêem, como o Lobo Antunes (coisa pouco provável no Brasil, que há muito perdeu o hábito de canonizar os seus escritores).
O tema de “O filho eterno” é propício a maus entendidos que esta capa da Gradiva só agrava, mas o livro não podia estar mais longe do «tear-jerker» hollywoodesco sobre a redenção do coitadinho. Espero que, ao contrário do Roberto que acima comenta, os leitores portugueses saibam lê-lo sem preconceitos.
[...] + O filho eterno (amém?) Hoje fiquei chocada, dei uma olhada num blogue chamado Bibliotecário Babel e vi a capa portuguesa do livro. Provavelmete quem a fez não leu a obra nem teve acesso a uma descrição mínima dela (cadê o editor?). Coisa que também acontece no Brasil. Mas gente, esse caso é além da imaginação, é feio demais, nem as editoras religiosas fariam uma coisa dessas hoje. Perceberiam que o filho de Tezza não tem nenhuma semelhança como filho de Deus. Para ver é só clicar aqui. [...]
Nossa! Horrível. Parece capa de livro espírita.
Colocar foto em capa de livro, além de pura falta de criatividade gráfica é de muito mau gosto.