CCB: sai António Mega Ferreira, entra Vasco Graça Moura

Eis uma notícia que me deixa perplexo. A Secretaria de Estado da Cultura acaba de anunciar a substituição de António Mega Ferreira por Vasco Graça Moura, na presidência da Fundação Centro Cultural de Belém. Se Mega Ferreira, nos dois mandatos à frente da instituição, deu «provas de brilho, criatividade e responsabilidade no cumprimento da missão que lhe foi incumbida», porque razão sai agora, quando por lei ainda podia ficar à frente do CCB durante mais três anos? Não se entende. Ou melhor, percebe-se uma coisa muito simples: sem pôr em causa as qualidades de Graça Moura e a sua grande experiência em cargos desta magnitude, há aqui claramente uma mudança de azimute político. Onde estava um intelectual mais ou menos alinhado com o PS, passa a estar um intelectual ostensivamente alinhado com o PSD. Numa altura em que assistimos ao verdadeiro assalto da EDP e outras empresas de forte participação estatal, por parte dos boys e girls laranjinhas (mais uns quantos centristas), a nomeação de Vasco Graça Moura para o CCB vai parecer mais do mesmo.
Perante o facto consumado, resta enaltecer o excelente trabalho feito por Mega Ferreira no CCB, nomeadamente as muitas iniciativas de cariz literário (as participadíssimas comemorações do Dia Mundial da Poesia, os ciclos de colóquios sobre escritores, as homenagens, as maratonas de leitura, os Dias dedicados a certos autores: Tolstoi, Kafka, Vitorino Nemésio, Tabucchi, etc.) Esperemos agora que Vasco Graça Moura consiga prosseguir este movimento de abertura do CCB aos temas literários.
Cá estaremos para ver.



Comentários

One Response to “CCB: sai António Mega Ferreira, entra Vasco Graça Moura”

  1. csd on Janeiro 20th, 2012 16:46

    Um aplauso para Mega ferreira.
    Aguardamos com expectativa o desempenho do novo director. A fasquia é alta…

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges