Cinco miniaturas de Rui Caeiro
BORBOLETAS
Como o fogo, duram o tempo que duram
Duram pouco. Ninguém espera de uma labareda
que fique para sempre
SEREIAS
Brilham ao sol a negra cabeleira, a verde
opulência das ancas e a pele fria e morna
escorregadia como os limos que há nas rochas
LINCES
Para bem escutar o rumor do mundo, ou melhor
filtrar o pouco que importa ouvir, nada como
duas imponentes orelhas em bico de flecha
PAPAGAIOS
Dizem o que eu digo e dizem tão bem
que fico sem saber quem imita quem
VERMES
Nos negros labirintos do interior da terra
também sonham, sonham com a nossa carne
[in O Carnaval dos Animais, Letra Livre, 2008]
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Nem só de Albertos vivem os Caeiros.
Este Rui é de boa colheita.