Clarke e Claus
Durante esta semana desapareceram dois escritores muito diferentes: no estilo, nos temas e na escala das respectivas obras. O britânico Arthur C. Clarke (1917-2008) e o belga flamengo Hugo Claus (1929-2008).
O primeiro era obcecado com o infinitamente grande (os mistérios do universo) e tão visionário que inventou uma fronteira, o ano 2001, a que chegámos muito aquém do que ele imaginara. Morreu na plena posse das suas faculdades, lúcido e depois de terminar o que sabia ser o seu últimpo opus.
O segundo era obcecado pelo infinitamente pequeno (a identidade da Bélgica) e estabeleceram-lhe um objectivo inalcançado, o Nobel. Morreu na plena posse do seu livre arbítrio, porque ao ver-se destruído pela doença de Alzheimer pediu que lhe encurtassem o sofrimento através da eutanásia.
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O Claus é um escritor mediano, mas admiro-lhe o gesto. O Clarke encheu a minha juventude, mas ao contrário do que diz o José Mário, não morreu na plena posse das suas faculdades. Há no site da revista ‘Wired’ um texto de um próximo dele, que dá conta de que o Arthur C. Clarke, no fim da vida, já estava a perder a memória. Por exemplo, já não se recordava de pormenores nenhuns da sua colaboração com o Stanley Kubrick no «2001:Odisseia no Espaço».