Coincidências

Hoje entrevistei dois escritores: o norte-americano David Vann e a francesa Maylis de Kerangal. Em A Ilha de Sukkwan (Ahab), Vann atira-nos à cara com o peso tremendo de uma relação entre pai e filho que se interrompe com um suicídio, algures numa ilha deserta do Alasca, tragédia amplificada pela descrição minuciosa de uma paisagem belíssima mas agreste. Em Nascimento de uma Ponte (Teorema), Kerangal conta-nos, em tom de epopeia do século XXI (era de todas as globalizações), a construção de uma gigantesca ponte numa cidade imaginária da Califórnia, fazendo do estaleiro a metáfora da própria criação do romance.
À partida, nada une estes autores. A não ser isto: os romances que vieram lançar a Portugal ganharam ambos o Prémio Médicis 2010 (o francês para Kerangal; o estrangeiro para Vann, que tinha, como companheiros de shortlist, Thomas Pynchon e Gonçalo M. Tavares). «Say hi to her», pediu-me Vann. E quando transmiti a Maylis o cumprimento, ela respondeu: «Il est à Lisbonne? Super. Quel livre, le sien. C’est dingue, non?»



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges