Commonwealth Books

Gosto de livrarias em que o balcão está ocupado por pilhas de livros, acabados de chegar, ainda à espera de serem encaminhados para o seu lugar nas estantes. E foi isso que eu vi assim que entrei na Commonwealth Books, uma espécie de alfarrabista que fica ao fundo de uma rua discreta, perto do centro (Spring Lane).
Logo à entrada, do lado esquerdo, há uma editora em destaque. E não é nenhuma das várias chancelas da Random House. É a mui alternativa Black Widow Press, que publica poesia traduzida de Paul Éluard, André Breton, Valery Larbaud ou Tristan Tzara. Com as suas 700 páginas, a biografia Revolution of the Mind: The Life of Andre Breton, de Mark Polizzotti, ficou a olhar para mim (talvez para a próxima), mas entretanto outras centenas de títulos emitiam, obstinados, o seu chamamento cruel, como sereias a atazanar os ouvidos de um Ulisses sem cera para os ouvidos.
Com a sua confusão ordenada, o seu caos gracioso, a Commonwealth Books é sítio para se ficar muitas horas, deambulando entre os vários núcleos temáticos, lendo as frases soltas e artigos de jornal colados em tudo o que seja superfície plana, aproveitando uma ou outra pechincha. Infelizmente, não tinha muitas horas para ficar ali (talvez para a próxima), mas ainda consegui apropriar-me de três pechinchas. A saber: Sudden Fiction (continued) – 60 New Short-Short Stories, uma antologia organizada por Robert Shapard e James Thomas (Norton, 1996), por três dólares; Blood, Tin, Straw, de Sharon Olds (Alfred A. Knopf, 1999), por sete dólares; e Poemas in English, de Samuel Beckett (Grove Press, 1963), por três dólares.



Comentários

One Response to “Commonwealth Books”

  1. Dulce on Novembro 3rd, 2009 9:56

    Livrinhos que nunca entrarão num kindle… :)

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges