Como eu escrevo
Não é tanto o como, é mais o quando. Fetichismos da escrita e rituais maçónicos da inspiração, passo bem sem eles. Para escrever um texto literário, nunca precisei de fazer vénias à imagem de São Flaubert ou de me ajoelhar virado para Stratford-upon-Avon. Também dispenso a caneta Montblanc herdada do bisavô e a máquina de escrever dos anos 40 (uma Royal Quiet DeLuxe Portable igualzinha à do Hemingway, por exemplo). Nada disso me interessa, porque escrever é tão somente alinhar ideias no papel. Ou no ecrã luminoso do computador. Importantes mesmo são as palavras. Para registá-las, o Microsoft Office Word 2003, instalado no meu portátil de gama baixa (Acer Aspire 5050), chega e sobra.
Mais complexa é a questão do tempo. O tempo para escrever ficção ou poesia. Com filhos pequenos (ela, três anos e meio; ele, quase dois) não é fácil. As janelas de oportunidade encolhem de um momento para o outro. Ser jornalista freelancer (isto é, trabalhar sem horários) também não ajuda. Há sempre assuntos urgentes a intrometerem-se. Por isso, a minha utopia é conseguir duas ou três horas de escrita diária para projectos literários. Como todas as utopias, ignoro quando é que esse estado de felicidade chegará, mas gostava que não fosse daqui a muitas décadas (ou nunca).
[Texto publicado na edição de hoje da revista Time Out Lisboa]
Comentários
6 Responses to “Como eu escrevo”
- Melancólicas criaturas em 20 de Maio de 2012
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- A pirâmide alimentar dos escritores em 17 de Maio de 2012


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Escreves com o Internet Explorer, é o que é!!! Como é que consegues usar isso é que me espanto
Lá no fundo sou um conservador preguiçoso. Ou melhor, um infoexcluído que disfarça bem.
sou um fã do teu livro Nuvens & Labirintos.
gostava mesmo que lançasses algo de poesia:)
abraço do sul.
É uma coisa em que penso muitas vezes: publicar livros. Como uma professora uma vez me disse, tenho o amor pela palavra escrita. Por ora ainda sou novo para escrever, não acredito ser possível escrever-se um bom livro na juventude, e tenho medo de quando tiver idade não tenha tempo. É um problema!
abraço
Não te preocupes, quando menos deres por ela vais sentir-te rodeado de tempo por todos os lados.
Não te esqueças, algures fica algures
Tiago Nené,
Olha que já faltou mais…