Da acta do júri
Manuel Alegre, presidente do júri do Prémio LeYa, justificou a atribuição dos cem mil euros ao romance O Olho de Hertzog, de João Paulo Borges Coelho, da seguinte forma:
«O romance vencedor restitui-nos o contexto histórico dos combates das tropas alemãs contra as tropas portuguesas e inglesas na I Guerra Mundial, na fronteira entre o ex-Tanganica e Moçambique, o confronto entre africânders e ingleses, a emigração moçambicana para a África do Sul, a reacção dos mineiros brancos, as primeiras greves dos trabalhadores negros e a emergência do nacionalismo moçambicano, nomeadamente através da imprensa e dos editoriais do jornalista João Albasini. O júri considerou a obra um romance de grande intensidade, em que se conjugam a complexidade das personagens, a densidade da trama narrativa e a busca de “O Olho de Hertzog”, que é, de certo modo, uma metáfora da demanda do destino individual e colectivo e do nunca desvendado mistério do ser.»
Comentários
2 Responses to “Da acta do júri”
- Melancólicas criaturas em 20 de Maio de 2012
- Primeiros parágrafos em 20 de Maio de 2012
- Um rato através da anaconda em 20 de Maio de 2012
- Os reflexos do mal em 19 de Maio de 2012
- O que aí vem (Esfera do Caos) em 19 de Maio de 2012
- Camané no ‘Avenida de Poemas’ em 18 de Maio de 2012
- Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’ em 18 de Maio de 2012
- Juan Marsé: “Ao romancista não basta a realidade, ele tem de ir sempre um pouco mais além” em 18 de Maio de 2012
- Cinco poemas de Liberto Cruz em 17 de Maio de 2012
- A pirâmide alimentar dos escritores em 17 de Maio de 2012


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Isto é apenas um teste.
Independentemente da qualidade da obra vencedora, a qual não discuto e admito como sendo por certo justa, o resultado faz-me pensar no ano passado, quando concorri a este prémio. O prémio foi então atribuído a um escritor de um país onde a Leya quer entrar, sendo aliás esta claramente uma das prioridades da editora. Na altura tive a certeza absoluta que nenhum escritor português venceria o prémio, este estava destinado ao Brasil. Todo o trabalho e custos de envio que os escritores portugueses tiveram estava seguramente condenado, independentemente da qualidade da obra ou do tema escolhido.
As conclusões que tirei levaram-me a não concorrer este ano, apostando ainda que desta vez o prémio ia para África. Tão claro e prevísivel como o prémio anterior. Poupei os portes de envio de dois pesados manuscritos, e acima de tudo poupei as ilusões, o que ainda foi o melhor de tudo.
Estou certo que as obras vencedoras, deste e do ano anterior, estão à altura do prémio atribuído ,e desejo imenso sucesso aos seus autores e invejo-os de uma forma saudável. Não deixo porém de me questionar sobre a real isenção do processo de escolha, do que lê e não lê o júri, de como são realmente tratados os envelopes com as identidades verdadeiras…
Talvez pela escrita seja possível reconhecer a nacionalidade do autor e assim orientar o processo de selecção, o que não seria uma fraude, mas também não seria por certo algo completamente justo…
Para o ano voltarei a não participar, e acredito que a queda do número de inscritos deste ano face ao ano anterior é a prova de que as minhas suspeitas e descrenças são sentidas por mais gente. E que essa mesma queda sirva de reflexão ao júri, porque o suposto prestígio do prémio pode mesmo afectar negativamente o prestígio dos que o elegem.
Mais uma vez, por mero exercício de divertimento, aposto na localização do próximo vencedor, e que me parece que virá do extremo oriente. Imagino uma Leya como o Portugal quinhentista, com as suas descobertas e conquistas, nos lugares que conhecemos. Mas isto é apenas um devaneio da minha desilusão…