Da acta do júri

Manuel Alegre, presidente do júri do Prémio LeYa, justificou a atribuição dos cem mil euros ao romance O Olho de Hertzog, de João Paulo Borges Coelho, da seguinte forma:

«O romance vencedor restitui-nos o contexto histórico dos combates das tropas alemãs contra as tropas portuguesas e inglesas na I Guerra Mundial, na fronteira entre o ex-Tanganica e Moçambique, o confronto entre africânders e ingleses, a emigração moçambicana para a África do Sul, a reacção dos mineiros brancos, as primeiras greves dos trabalhadores negros e a emergência do nacionalismo moçambicano, nomeadamente através da imprensa e dos editoriais do jornalista João Albasini. O júri considerou a obra um romance de grande intensidade, em que se conjugam a complexidade das personagens, a densidade da trama narrativa e a busca de “O Olho de Hertzog”, que é, de certo modo, uma metáfora da demanda do destino individual e colectivo e do nunca desvendado mistério do ser.»



Comentários

2 Responses to “Da acta do júri”

  1. teste on Outubro 14th, 2009 14:45

    Isto é apenas um teste.

  2. Pedro LT on Outubro 15th, 2009 10:16

    Independentemente da qualidade da obra vencedora, a qual não discuto e admito como sendo por certo justa, o resultado faz-me pensar no ano passado, quando concorri a este prémio. O prémio foi então atribuído a um escritor de um país onde a Leya quer entrar, sendo aliás esta claramente uma das prioridades da editora. Na altura tive a certeza absoluta que nenhum escritor português venceria o prémio, este estava destinado ao Brasil. Todo o trabalho e custos de envio que os escritores portugueses tiveram estava seguramente condenado, independentemente da qualidade da obra ou do tema escolhido.

    As conclusões que tirei levaram-me a não concorrer este ano, apostando ainda que desta vez o prémio ia para África. Tão claro e prevísivel como o prémio anterior. Poupei os portes de envio de dois pesados manuscritos, e acima de tudo poupei as ilusões, o que ainda foi o melhor de tudo.

    Estou certo que as obras vencedoras, deste e do ano anterior, estão à altura do prémio atribuído ,e desejo imenso sucesso aos seus autores e invejo-os de uma forma saudável. Não deixo porém de me questionar sobre a real isenção do processo de escolha, do que lê e não lê o júri, de como são realmente tratados os envelopes com as identidades verdadeiras…
    Talvez pela escrita seja possível reconhecer a nacionalidade do autor e assim orientar o processo de selecção, o que não seria uma fraude, mas também não seria por certo algo completamente justo…

    Para o ano voltarei a não participar, e acredito que a queda do número de inscritos deste ano face ao ano anterior é a prova de que as minhas suspeitas e descrenças são sentidas por mais gente. E que essa mesma queda sirva de reflexão ao júri, porque o suposto prestígio do prémio pode mesmo afectar negativamente o prestígio dos que o elegem.

    Mais uma vez, por mero exercício de divertimento, aposto na localização do próximo vencedor, e que me parece que virá do extremo oriente. Imagino uma Leya como o Portugal quinhentista, com as suas descobertas e conquistas, nos lugares que conhecemos. Mas isto é apenas um devaneio da minha desilusão…

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges