Das actas do júri

Excertos de algumas das declarações de voto do júri do Prémio José Saramago, que decidiu premiar o mais recente romance de João Tordo por unanimidade:

«Este é um romance com uma boa definição no que diz respeito à efabulação romanesca, à definição de personagens, à arquitectura da intriga, à fluidez da linguagem, à precisão descritiva e, finalmente, à manutenção de um quase permanente estado de suspensão e surpresa – o qual tem, aliás, o supremo mérito de tornar o leitor literalmente prisioneiro da sua própria curiosidade enquanto descobridor de intrigas e mistérios.»
[Manuel Frias Martins]

«As Três Vidas é um relato em que realçam o talento e a primorosa linguagem do seu autor. E conquanto o jovem narrador cometa às vezes excessos narrativos no afã de não deixar perguntas sem respostas, de não permitir que a história humana seja talhada pelo silêncio, seu empenho criador emociona. Leva-nos a convicção de que estamos diante de um escritor cuja notável vocação narradora não se furta em nenhum momento de analisar a brutalidade da vida que nos habita.»
[Nelida Piñon]

«O meu voto vai para João Tordo e As Três Vidas pelo domínio da técnica narrativa, pela força das vozes e pela maneira como o autor transforma uma situação do quotidiano numa experiência de dilaceramento que se vai insinuando ao longo da obra à medida que o mistério ganha corpo e se redesenha numa arte combinatória que permite contar histórias e desvendar para o leitor parte importante da história do século XX.»
[Ana Paula Tavares]



Comentários

One Response to “Das actas do júri”

  1. ‘As Três Vidas’ de João Tordo em francês | Bibliotecário de Babel on Outubro 22nd, 2009 14:20

    […] romance As Três Vidas, de João Tordo (QuidNovi), que acaba de ganhar, por unanimidade, o Prémio José Saramago 2009, vai ser editado em França pela Actes Sud, com data de lançamento […]

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges