De partida

– Felizmente, já tens o Sony Reader.
– Pois.
– É da maneira que não vais tão carregado de livros, certo?
– Certo. Ou melhor, quer dizer…
– Quer dizer o quê?
– Estás a ver a mochila preta?
– Sim. O que é que tem a mochila preta?
– Bom, na verdade tem 1, 2, 3, 4, hmmm, quer dizer, 18 livros.
– 18 livros?!
– Sim.
– Em papel?
– Sim.
– Em papel!?
– Sim.
– Em papel!?!?
– Sim, em papel. Não transformes isto num sketch dos Gato Fedorento. E já agora não abuses dos pontos de exclamação. Olha o Senhor Palomar.
– O Senhor Palomar não é para aqui chamado. Que eu saiba, não vai ser o Senhor Palomar, seja ele quem for, a carregar com essa livralhada toda.
– Lá isso.
– E o Sony Reader, afinal?
– Também vai. Na mochila preta. Sempre são mais dois livros. E dos grossos. Quer dizer, para o caso é indiferente.
– Mas a ideia não era justamente evitar os grandes volumes, os carregos, o peso extra na bagagem?
– Era, a ideia era essa.
– E então?
– Então, sabes como é.
– Não acreditas na tecnologia?
– Acredito, acredito. Não lhe dou é demasiada confiança.



Comentários

4 Responses to “De partida”

  1. Margarida F. on Agosto 19th, 2009 21:45

    estás a passar férias com quem?

  2. José Mário Silva on Agosto 19th, 2009 22:30

    Engraçadinha…

  3. Isabel Coutinho on Agosto 21st, 2009 9:47

    Adorei!

  4. paula on Agosto 21st, 2009 12:14

    Tendo em conta que se fala de um Sony Reader, parece-me natural e avisado a personagem levar os tais 18 livros.
    É que com dispositivos que assentam fortemente em tecnologias de DRM, há sempre o risco do dono dos livros ficar sem acesso aos mesmos. E lá ficavam as férias estragadas!
    Comprarei um e-book reader, quando encontrar um assim.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges