De que falam, entre eles, os ‘dezedores’ de poesia? (2)

Se ontem à noite a assistência foi razoável, esta tarde o público simplesmente não compareceu à segunda sessão do I Encontro Nacional de Dezedores de Poesia. Na plateia, excluindo organizadores, jornalistas e funcionários do auditório, estavam quatro pessoas. No palco, dez. Uma pena.
Uma pena, sim. Até porque os dezedores disseram, finalmente, poemas. Pedro Lamares começou por ler O Fraseador, de Manoel de Barros; Fanha cantarolou um rap para crianças de sua autoria (O quê de cão); Maria do Céu Guerra leu António Ramos Rosa; e Rui Spranger interpretou, com ganas, versos de Joaquim Castro Caldas. No resto do tempo, os dezedores evocaram a forma como descobriram a poesia e a razão porque a dizem, pretexto para depoimentos ora emocionados, ora divertidos. Álamo Oliveira, por exemplo, lembrou que os primeiros versos que disse em voz alta, aos dez anos de idade, foram três quadras de João de Deus. O rapaz ficou feliz com os elogios que lhe fizeram mas a avó, que ganhava dinheiro a escrever cartas que os conterrâneos analfabetos enviavam para os familiares emigrados na América, logo o fez descer à terra: «Está tudo muito bem, mas a vida não cabe em três quadras de João de Deus.» E não cabe mesmo.



Comentários

One Response to “De que falam, entre eles, os ‘dezedores’ de poesia? (2)”

  1. Luís Graça on Setembro 8th, 2009 2:13

    Mais gente na mesa do que na assistência é um acontecimento nada raro nestas coisas da Literatura. Mas faz pena.
    Já me aconteceu uma vez estar na mesa da Biblioteca de Lagos e ganhar por 4-3 à assistência.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges