“Deram-me o prémio porque me chamo Pedro”

A leitora Maria João Afonso esteve presente na entrega do Prémio Inês de Castro a Pedro Tamen, no sábado passado, em Coimbra. Após uma troca de e-mails, disponibilizou-se gentilmente a escrever para o BdB uma curta descrição da cerimónia, que desde já agradeço. Aqui fica:

S. Pedro ajudou e, no meio de dias tão chuvosos, sábado amanheceu de sol em Coimbra. Mesmo a tempo de deixar que os membros da Fundação Inês de Castro, depois de realizada a reunião do seu Conselho Geral, almoçassem e pudessem dar um agradabilíssimo passeio no renovado jardim da Quinta das Lágrimas, em Coimbra. Guiados pela autora do projecto, Cristina Castel-Branco, os passeantes aproveitaram o ar livre antes de se deslocarem para a sala onde iria decorrer a entrega do prémio literário que leva o nome da Fundação.
Instituído em 2006, o prémio foi entregue pela primeira vez este ano, facto que foi referido por vários intervenientes. Os homenageados foram Pedro Tamen por um livro de poesia publicado em 2006 e Urbano Tavares Rodrigues pelo conjunto da sua carreira.
Numa sala cheia de membros da Fundação Inês de Castro, familiares e amigos dos agraciados e público em geral, procedeu-se então à cerimónia. Presidida pelo Prof. Doutor Rui Alarcão da Universidade de Coimbra e contando com a presença da Ministra da Cultura, a sessão começou com o anúncio do prémio, tendo cabido a Frederico Lourenço a tarefa de falar sobre a obra premiada:
Analogias e Dedos. Numa intervenção muito interessante e bem-humorada, assumindo a sua identidade de classicista, o professor falou de uma obra que, significativamente, nas suas palavras, começa com a palavra “Engano” e termina com a palavra “salvação”: “Trata-se de um grande poeta da literatura portuguesa, um arquitecto construtor [da língua].”
Coube então a José Carlos Seabra Pereira falar do trabalho de Urbano Tavares Rodrigues e das razões que levaram o júri, presidido por Aníbal Pinto Castro, a galardoar a carreira do escritor com um “Tributo de Consagração”. Em algumas palavras percorreu a vida e obra de Urbano Tavares Rodrigues, sublinhando a relevância das obras escritas a partir da década de oitenta.
Coube então a vez aos agraciados e, após referir o debate consigo próprio e com o papel que a escrita de poesia constitui e de se interrogar sobre as razões da atribuição do galardão, Pedro Tamen terminou de forma igualmente bem-humorada afirmando que prefere pensar que o prémio lhe foi concedido por se chamar Pedro, arrancando uma gargalhada ao público presente.
Por razões de saúde, não foi possível a Urbano Tavares Rodrigues estar presente, pelo que delegou a sua representação na neta, Sofia Fraga, que leu o texto escrito pelo avô agradecendo a homenagem.
Falou por fim a Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, que sublinhou a importância da participação e iniciativa da sociedade civil no fomento e reconhecimento da actividade literária, aproveitando para anunciar que se prepara uma reformulação — mais uma! — dos apoios do Ministério aos prémios literários. Com umas palavras para o mecenato cultural, terminou a sua intervenção.
O prémio então entregue aos galardoados consiste num cheque de cinco mil euros e uma estatueta da autoria de Cutileiro, também presente.



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