Desilusão
Houve uma altura em que participava, todas as tardes, em reuniões para construir a capa do Diário de Notícias do dia seguinte. Como é natural, puxava a brasa à minha sardinha (os temas culturais) mas nem sempre tinha sorte. Toda a gente sabe: a inauguração de uma retrospectiva no CCB vale menos do que uma foto do Cristiano Ronaldo em tronco nu ou do que a notícia de mais um banco assaltado. Ainda assim, na linha cada vez mais ténue que separa os tablóides dos diários de referência, havia para mim uma regra simples para separar as águas entre os dois tipos de jornalismo: os diários de referência chamam sempre para a capa a morte de um grande artista ou o Prémio Nobel da Literatura; os tablóides, não.
Esta manhã, no quiosque do costume, preparei-me para confirmar mais uma vez a validade da minha regra. Olhei para a primeira página do DN e lá estava Le Clézio. Pequenino, num cantinho, mas estava. Olhei para a capa do Público e nada. Absolutamente nada. Nem imaginam como isto me entristece.
Comentários
2 Responses to “Desilusão”
- Melancólicas criaturas em 20 de Maio de 2012
- Primeiros parágrafos em 20 de Maio de 2012
- Um rato através da anaconda em 20 de Maio de 2012
- Os reflexos do mal em 19 de Maio de 2012
- O que aí vem (Esfera do Caos) em 19 de Maio de 2012
- Camané no ‘Avenida de Poemas’ em 18 de Maio de 2012
- Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’ em 18 de Maio de 2012
- Juan Marsé: “Ao romancista não basta a realidade, ele tem de ir sempre um pouco mais além” em 18 de Maio de 2012
- Cinco poemas de Liberto Cruz em 17 de Maio de 2012
- A pirâmide alimentar dos escritores em 17 de Maio de 2012


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Calma, Zé Mário!
Ainda temos forças para cantar a nossa revolta.
Sinto-me como tu, mas há sempre um canto de rebelião que não nos conseguirão tirar (poema ‘Tombstone’, na coluna da direita do meu blogue http://www.gandaordinarice.blogspot.com).
Posso sair disparado do water-slide Banzai (era o mais inclinado do Big One; ou era o Kamikaze?) direitinho à boca aberta de um tubarão branco. Mas prometo partir-lhe pelo menos um dente a pontapé, quando chegar a hora de mergulhar na escuridão dos seus ácidos estomacais.
sim, também foi uma desilusão; mas, convenhamos, a capa do ípsilon é a melhor capa que alguma vez se fez para o ípsilon.