Despertares (3)

Mais aberturas de romance com despertares, desta vez sugeridas por leitores:

«Acordou, abriu os olhos. O quarto pouco ou nada lhe dizia; ele estava profundamente imerso na inconsciência donde acabara de vir.»

[O Céu que nos protege, Paul Bowles, trad. de José Agostinho Baptista, Assírio & Alvim, 1989; sugerido por Rui Almeida]

«Elói está deitado. Amanhece. Ainda não abriu os olhos, mas, embora os abrisse, nada veria; a escuridão reina dentro do quarto. Neste momento deve debater-se na impossibilidade de saber se dorme ou se está acordado.»

[Elói ou Romance numa Cabeça, de João Gaspar Simões, Presença, 1932; sugerido por Hugo Pinto Santos]



Comentários

2 Responses to “Despertares (3)”

  1. AMV on Outubro 24th, 2011 23:03

    Já agora, o início de «Crónica de Uma Morte Anunciada».

  2. MCS on Outubro 25th, 2011 22:29

    Eis mais alguns:

    “Promovido a oficial, Giovanni Drogo deixou a cidade numa manhã de Setembro para se dirigir à Fortaleza Bastiani, seu primeiro destino.
    Acordaram-no era ainda de noite, e vestiu pela primeira vez a farda de tenente.” – O deserto dos Tártaros, Dino Buzzati

    «Durante muito tempo fui para cama cedo. Por vezes, mal apagava a vela, os olhos fechavam-se-me tão depressa que não tinha tempo de pensar: ‘Vou adormecer.’E, meia hora depois, era acordado pela ideia de que era tempo de conciliar o sono;» – Em busca do tempo perdido, Vol I – Do lado de Swann

    “Quando acordava nos bosques, na escuridão e no frio, estendia a mão para tocar na criança que dormia a seu lado.” – A Estrada, Cormac McCarthy

    “Gohar acordara por fim: acordara a sair dum sonho em que se afogava. Soergueu-se, ficando num cotovelo, e olhou em redor, os olhos cheios de incerteza, ainda embotado pelo sono.” – Mendigos e altivos, Albert Cossery

    “Uma noite estava sentado na cama do meu quarto de hotel em Bunker Hill bem no meio de Los Angeles. Era uma noite importante na minha vida, pois tinha de tomar uma decisão sobre o hotel. Ou pagava, ou saía: era o que dizia o bilhete que a proprietária tinha metido por debaixo da minha porta. Um problema bicudo, a exigir toda a atenção. Resolvi-o desligando a luz e metendo-me na cama.
    De manhã, ao acordar, decidi que tinha de fazer mais exercício físico e comecei de imediato. ” – Pergunta ao pó, John Fante

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges