Dez perguntas

O Senhor Breton e a entrevista
Autor: Gonçalo M. Tavares
Editora: Caminho
N.º de páginas: 56
ISBN: 978-972-21-2014-2
Ano de publicação: 2008

Munido de um gravador, frente ao espelho da sala («janela com a velocidade ideal»), o Senhor Breton desafia-se para uma auto-entrevista. Respostas, não há; ele está ali só «para fazer perguntas». Dez perguntas com formulações derivativas, que «complicam a realidade», e a que o entrevistado tenta fugir, pretextando pausas para estender as pernas ou passear pelo bairro. É durante essas interrupções que encontra personagens de livros anteriores (Valéry, Kraus) ou futuros (Woolf, Eliot, Duchamp). A entrevista tem como único tema a poesia, mais os respectivos poderes e limites. A poesia enquanto «coisa parada» que «resolve, ao mesmo tempo, o tédio e o medo», mas também fissura numa vida «coberta por palavras», ou «o momento em que a linguagem está prestes a partir-se», ou ainda a «energia que nos torna bípedes mais lúcidos». Fiel ao seu estilo, Gonçalo M. Tavares arruma as frases como um geómetra com queda para o aforismo. E transforma este livrinho – denso mas leve, irónico mas sério, reflexivo mas lírico – em mais um brilhante exercício de estilo, algures entre a ars poetica e a lição de anatomia.

Avaliação: 8/10

[Texto publicado no suplemento Actual do Expresso]



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges