Diário do Booker (1)
Este é o relato de uma missão impossível.
Uns dias depois de ser conhecida a shortlist do Man Booker Prize 2008, encomendei pela Amazon os seis livros finalistas. Objectivo: ler tudo antes da decisão do júri, a 14 de Outubro. Devorar os seis romances de enfiada e ir dizendo o que penso de cada um deles. Os entusiasmos, as desilusões, os pontos fortes e fracos de cada livro, os avanços e recuos das tramas narrativas, alguns excertos e, no fim, seis críticas que justificarão o meu veredicto, a minha escolha – coincidente ou não (veremos) com a do júri presidido por Michael Portillo.
Enfim, a ideia é fazer uma espécie de diário de leitura. Este diário de leitura.
Para terem uma ideia do que me espera, eis uma apresentação sucinta dos romances finalistas:

The White Tiger, de Aravind Adiga (Atlantic) – 322 páginas

The Secret Scripture, de Sebastian Barry (Faber & Faber) – 300 páginas
Sea of Poppies, de Amitav Ghosh (John Murray) – 471 páginas
The Clothes on Their Backs, de Linda Grant (Virago) – 294 páginas

The Northern Clemency, de Philip Hensher (Fourth Estate) – 738 páginas

A Fraction of the Whole, de Steve Toltz (Hamish Hamilton) – 710 páginas
Percebem agora o fatalismo com que iniciei este post? Ler 2835 páginas em língua inglesa, num período inferior a três semanas, é quase impossível. Agora, fazê-lo com outras leituras pelo meio, além de uma série de trabalhos que não posso suspender (mais a vida familiar, etc.), obriga-me a retirar o advérbio da última frase. Ainda assim, vou em frente. O mais certo é não conseguir, mas pelo menos tento.
***
O primeiro livro chegou ontem e é, nem de propósito, o mais volumoso.
Algumas breves impressões:
- Na capa do livro já está a referência que acelera as vendas: “Shortlisted for the 2008 Man Booker Prize”.
- Na ficha técnica encontrei o selo da FSC, uma organização internacional sem fins lucrativos que promove a gestão responsável dos recursos florestais. Ou seja, o calhamaço que tenho em mãos foi feito com papel proveniente de árvores “that are managed to meet the social, economic and ecological needs of present and future generations”.
- Eis dois dos blurbs da contracapa: «Hensher is an anatomist of familial tensions and marshals his large cast of characters deftly. An engaging and hugely impressive novel» (The Times); «Hensher is fascinatingly good on how social transformation manifests itself in the textures, colours and manners of a culture… Extremely funny, but also deeply humane» (Sunday Times).
- O livro é composto por quatro livros e meio. Entre o segundo e o terceiro livros, há um “Book Two-and-a-Half”.
- Logo na página 4 encontrei este diálogo, curioso se tivermos em conta que acontece não no presente, mas em 1974:
«”People are busy in August, these days,” Mrs Arbuthnot said. “They go away, don’t they?”
“We were thinking about the Algarve,” Mrs Warner said.
“Oh, the Algarve,’ Mrs Arbuthnot said, encouraging and patronizing as a magazine.»
E agora vamos ver como isto avança.
Comentários
4 Responses to “Diário do Booker (1)”
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Boa sorte, é tudo o que me ocorre dizer.
Cheers
GRANDE HOMEM!
Caro José Mário,
li este post com curiosidade, porque já havia pensado em fazer a mesma leitura. Mas desisti de imediato: não tenho, infelizmente, disponibilidade para ler todos estes livros até dia 14 de Outubro.
Comprei e irei ler apenas os «A fraction of the whole» e «The clothes on their backs».
Que o tempo e as forças não lhe fujam!
GP
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