Dois poemas de amor de Pablo Neruda
EM TI A TERRA
Pequena
rosa,
rosa pequena,
às vezes,
mínima e nua,
pareces caber numa única
das minhas mãos,
para assim te segurar
e levar à boca,
mas
logo
meus pés tocam teus pés e minha boca teus lábios:
cresceste,
erguem-se teus ombros como duas colinas,
teus seios passeiam-se pelo meu peito,
o meu braço mal consegue abraçar a linha
estreita de lua nova da tua cintura:
solta no amor como a água do mar:
meço apenas os olhos mais vastos do céu
e inclino-me para a tua boca para beijar a terra.
O RAMO ROUBADO
De noite iremos
roubar
um ramo florido.
Saltaremos o muro,
nas trevas do jardim alheio,
duas sombras na sombra.
Ainda não passou o inverno,
e a macieira aparece
subitamente transformada
em cascata de perfumadas estrelas.
De noite saltaremos
até ao seu trémulo firmamento,
e as tuas pequenas mãos e as minhas
roubarão as estrelas.
E em segredo,
na nossa casa,
na noite e na sombra,
entrará com os teus passos
o silencioso passo do perfume
e com pés siderais
o corpo claro da primavera.
[in Poemas de Amor, tradução de Nuno Júdice, Dom Quixote, 2010]
Comentários
2 Responses to “Dois poemas de amor de Pablo Neruda”
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Este Pablo….
O Chile deu ao mundo Pinochê e outros quejandos… mas compensou-nos com o Bolaño e Pablo Neruda.
Parece que ontem andámos à volta do mesmo, mas provavelmente por razões diferentes. Não importa… A poesia é bonit
http://capecodmorning.blogspot.com/2010/02/nerudas-loves.html