Dois poemas de Manuel de Freitas
MERCADO DOS LAVRADORES
Desobedece às flores,
como quem vai morrer.
Arrumam as entranhas
de espada negro, enquanto
uma mangueira firme
varre da infância
todos os que já partiram:
Gregório, Isaías, João,
alguns outros mais.
Nos bares em volta,
nas bancas de raspadinha,
procuras – mas não encontras –
o esquecimento.
Isso mesmo, o esquecimento.
BARREIRINHA
De repente, pai, entre
o silêncio de duas ondas,
ouvimos a única pergunta:
quantas vezes
ainda nadaremos juntos?
[in Boa Morte, edição de autor, 2008]
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4 Responses to “Dois poemas de Manuel de Freitas”
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- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 16 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 9 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 2 de Dezembro de 2016
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Há no mármore dos meus pulsos,
Uma brecha doirada por onde uiva o vento,
Espreito para ver escorrer a matéria
Que arrasta obstinadamente o meu sonho.
Um órgão, um sexo de cristal,
Ira de coisa nenhuma dissimulada
Nesse tempo materno que se abre,
Olho persistentemente como se toda a indiferença
Contida no sémen espalhasse
Toda a fragilidade desta verdade.
Rasgo o verso e lanço-o como pétalas
Dos teus cabelos onde o vento se agita,
Soletrando apenas um canto obsceno do Norte.
É eco abafado, indistinto e berrado…
Na passagem funda afoga-se, nas entranhas uiva….
Um naufrágio, cheiros subterrâneos coexistem neste silêncio
De fogo, já passou e do outro lado olha-me…
Estava à espera de encontrar hoje o vídeo com os golos do Bayern, mas fiquei decepcionado… é pena 😀
Ainda nem sequer os vi, caro Hum (e não sei se terei agora coragem de os ver). A verdade é que ontem não estava, felizmente, atrás de nenhuma das balizas.
O segundo poema é demasiadamente bom. E tão simples.