Dois poemas de Manuel de Freitas
RESTAURANT BIBLIOTEKET
Há poemas assim, que não precisam
de ser escritos; apenas enunciados,
ditos em voz baixa a mais ninguém.
A cidade levar-te-á onde te quiser levar,
indiferente à paixão ou à minúcia dos teus passos.
Quem esteve na Toldbodgade, 5,
depressa concordará comigo.
TIVOLI
Seria um conto de fadas
num jardim de chuva
se não fosse já tão tarde.
O teu sorriso sobreviveu, não
abandonou sequer por um momento
a cadeira do Mezzo Bar,
apesar das luzes e dos gritos da cidade.
Esperavam, entre cervejas,
a chegada da rainha da neve,
um pesadelo que lhes fizesse
mais próxima e feliz a noite.
Nós estávamos, porém, demasiado
longe de saber que tudo ou quase tudo
serve unicamente para nos distrair da morte.
[in Brynt Kobolt, Averno, 2008]
Comentários
Got something to say?
- O blogue do José Luís Peixoto em 19 de Novembro de 2008
- Balanço final do Goncourt 2008 em 18 de Novembro de 2008
- Apresentação de ‘A Viagem do Elefante’ em 18 de Novembro de 2008
- A literatura como terapia em 18 de Novembro de 2008
- Prémio Teixeira de Pascoaes para João Rui de Sousa em 18 de Novembro de 2008
- E se Obama fosse poeta? em 17 de Novembro de 2008
- E se Obama fosse africano? em 17 de Novembro de 2008
- Documentários na Fundação Eugénio de Andrade em 17 de Novembro de 2008
- O regresso de Paulo Castilho em 16 de Novembro de 2008
- Três poemas de Manuel Silva-Terra em 16 de Novembro de 2008


Receba por e-mail
del.icio.us
DoMelhor
EuCurti
feed RSS
email diário



