Dois poemas de Rui Lage
HORTUS CLAUSUS
O olhar sobe as escadas da paisagem.
Muros atravessam-na duplamente
em amplos charcos de água.
Pequeno pássaro pousa
pequeno pensamento
no ramo que o frio despiu.
Nevoeiro o cerca, erguendo
vagarosos braços de lama
dissolvidos pela chuva.
Cheias de musgo e de bosta
estão as pedras do passado
de algum dono aprendido
sentam-se nelas poemas
cada vez menos aptos
a falar de mim.
Uma charneca o céu
a terra uma cisterna
que transborda.
Sou levado,
mas não irei longe
com tamanha ferrugem nos olhos.
JOVEM MULHER NUMA CAPELA DE ALDEIA
Num banco junto à parede,
fértil e escura como terra lavrada,
os olhos adormecendo no incenso
que a tomava pela cintura
e lhe dava o cansaço
da madrugada.
Os cabelos negros enredando o frio
que vinha de fora
pela porta que alguém esquecera aberta
mostrando ao fundo o rio
e a laranjeira despida
pela geada.
Morte
em ambos os lados da porta
dando entrada
e súbito o dia
e depois
mais nada.
[in Corvo, Quasi, 2008]
Comentários
2 Responses to “Dois poemas de Rui Lage”
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Tão mau!
Como é possível postar isSo? Incontinência?
Desde Venezuela
Deseo ponerme en contacto con usted, igualmente desearìa saber si tiene algunos de sus textos poèticos traducidos al español..
Mi correo electrònicp es: raquelmolinaf@hotmail.com
En espera de su misiva
Raquel Molina