Dois poemas de Tatiana Faia
ficas onde outrora caminhaste mar dentro
guardaste uma impressão clara de areia
movendo-se sobre os pés
por vezes a água como pequenas esquinas
ferindo o ponto onde
te descalças e moves
contagiam-te depressa cores escuras
as noites ancoradas de portos em corinto
o preto e o cinzento azulado
que fica do hábito de endoidecer
por entre traves passa a madrugada
encho de passos lugares onde já estiveste
torno a caminhar para fora dos limites da cidade
nas primeiras madrugadas de Outono
vou endoidecendo à espera de um fio de voz
que venda o regresso à hora do labirinto
***
escrevo o teu lugar nas palmas das mãos
ao longo de muros projecto sombras gestos
o voo de pássaros e corro
pertenço às noites de rios que amas e cantam
que se escondem em poços mais profundos
precipitando-se em direcção ao inverno
sem regresso toco a música que fica
mais perto da distância
a minha partida estava já nos nós dos teus dedos
nos anéis dos teus cabelos
no teu sorrir que fios de música
teceram para que se desperdiçasse
[in revista Ítaca, n.º 1, Fevereiro de 2010]
Comentários
4 Responses to “Dois poemas de Tatiana Faia”
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Gostei muito do ritmo entrecortado dos poemas. Para mim é novidade, o resultado me parece estranhamente belo.
Exmo. Senhor, a moça não se chama tatiana faria mas faia. O senhor na etiqueta tem faia.
perdão, na etiqueta tem faria.
Obrigado pelo aviso, JP.