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Efeito Comaneci
Hoje, pela primeira vez na história deste blogue, vou publicar uma crítica que atribui, a um determinado livro, a nota máxima: dez em dez. Só quem for muito distraído é que ainda não adivinhou de que livro se trata.
publicou o Bibliotecário de Babel às 12:41 de Terça-feira, 22 de Setembro de 2009 para o arquivo Geral.
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Sei: é o “Shots de Chili: Manual de Política Editorial” do Francisco José Viegas
Sim, já sabemos. É o livro da editora para quem você traduz, não é? Como é que se chama? 0,666, acho eu
É aquele clássico, “O Crítico a Soldo”. Consta que a Marylin também o leu a partir do fim: a menina era prendada de mãos…
E não diga que além de todos os jeitinhos ainda vai fazer o final: pôr a crítica ao coiso no fim de semana do lançamento do dito?
Você é um catita…
“os dias de missirá”, do manuel lamas?
O último do Dan Brown? Ou do Saramago?
Ah, já sei: a biografia não autorizada de José Sócrates (olhe que parece que só sai depois das eleições).
Seja como for, 10 a dividir por 1008 páginas dá só 0,00992 valores por página, muito abaixo dos 0,025 que um banal livro de 200 páginas agraciado com um 5 consegue.
(Para aquelas pessoas que não costumam perceber ironia: não há qualquer ironia no parágrafo anterior.)
Duas palavrinhas que poderiam ter evitado estes dissabores: “full disclosure”. É que a recusa de revelar conflitos de interesse faz até o crítico ou jornalista mais honesto e imparcial parecer mentiroso.
Elejo o comentário do jaa como o mais racial de todos os tempos com afinidade à literatura.
(Estou a forçar o trocadilho com rácio, sejam benevolentes…)
Haverá algumas adaptações a fazer a esse cálculo, pois se A Consciência de Zeno pudesse também ser avaliada com nota 10, na sua edição da Minerva (numa pesquisa aparece-me como editada em 2000, eu arriscaria há 2.000 semanas atrás, mas posso estar errado) teríamos um rácio de 0,0277777 (…) por página; enquanto que na actual edição da Dom Quixote, a fiar-me pelas características coligidas em http://www.bertrand.pt, o rácio para esta edição de 440 páginas seria de 0,0227272727 (…). Pois, estando o texto distribuído por um número diferente de páginas, cada página não contém exactamente as mesmas frases numa edição e noutra (a tradução pode também ser diferente, mas façamo-la aqui uma constante), o que acaba por justificar ter uma estimativa diferente. Mas há um outro problema, se 10 é a nota máxima, num livro de 440 páginas o rácio máximo por página são os 0,0277777 (…), portanto, cabe ao crítico literário ter todos os cuidados ao dar a nota máxima a um livro, para que o faça sobre a edição com o menor número de páginas, o que é até fácil de perseguir num livro em que se exalta continuamente o intimidante número delas.
Era só mesmo isto…
Caro Zé Mário, o Rayuela recebeu a mesma nota. Diz lá se não sou um leitor atento…
Luis,
Quanto ao “full disclosure”, já o fiz aqui: http://bibliotecariodebabel.com/blogosfera/preto-e-amarelo/. Não creio ser necessário estar a repeti-lo todos os dias. Se algumas pessoas confundem o interesse genuíno por uma obra (que me parece ser a mais importante entre as publicadas este ano, até agora) com quaisquer supostas manobras obscuras de “promoção” ou “marketing”, o problema, desculpem-me a franqueza, é dessas pessoas, da sua mesquinhez e da sua visão conspirativo-paranóica sobre o modo como funciona o meio literário.
PS – Já agora, é muito curioso o facto de o Ti Búrcio, a Ana Gomes, o almerindo e o quandoforgrandequeroserochico (que enxameia outra caixa de comentários) terem todos o mesmo ip. Mera coincidência, decerto.