Fábula


O LEÃO E O POÇO
Era uma vez um leão que caiu num poço com dois metros de profundidade. Todos os animais das redondezas, a começar nas águias (essas rapinas que gostam de abrir as asas com espalhafato, mesmo quando voam baixinho) e a acabar nos dragões (esses bichos imaginários com menos fogo nas goelas do que pensam), toda a fauna se debruçou na beira do poço e fez pouco do leão ferido, lá em baixo, aparentemente conformado com a sua má sorte e morte certa.
Foi então, quando as águias regressaram ao ninho (descobrindo que alguém lhe roubara os ovos) e os dragões preparavam o espeto para uns bichinhos setentrionais muito tenrinhos, que se ouviu um rugido tão poderoso que fez estremecer os alicerces do Palácio da Má Vontade, erguido no topo do Monte da Comunicação Social. Agarrando-se ao balde do poço e fincando as patas nas paredes, o leão ergueu-se num salto de três metros e saiu cá para fora, como que renascido.
Nos espaços em volta, fez-se silêncio. O silêncio do respeito e do medo.
Comentários
8 Responses to “Fábula”
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 29 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 22 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 16 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 9 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 2 de Dezembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 25 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 18 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 11 de Novembro de 2016
- Amanhã na secção de Livros da revista ‘E’ em 4 de Novembro de 2016
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Nem todos os benfiquistas são assim. Nos jogos internacionais torço sempre pelas equipas portuguesas. E, neste caso, até havia mais um factor para eu apoiar o zebording: torço sempre pelas equipas mais fraquinhas [evil laugh].
O moralismo das fábulas incomoda-me, mas gostei desta. Senti-me verde!
Alguém ainda duvida da capacidade do leão, mesmo quando no fundo dum poço? Haverá sempre um momento em que, inteligentemente, surpreende e nem precisa de lapião e muito menos da luz da chama do dragão para o iluminar na subida. É leão. Palavras para quê?
Bem esgalhado !
Mas será que o leão vai continuar a acreditar …?
Ahaha, muito bom!
Eu até sou sportinguista, caro José Mário. Mas duvido que águias e dragões estejam com medo. O silêncio é capaz de ser de espanto.
Sabe sempre bem um bif(e)!
Esqueceu-se dos outros leões que o empurraram e dos que ficaram a ver a queda sem ajudar.
[E sim, sou benfiquista]
Um abraço
amigo escritor jornalista, li com todo o gozo a fábula. Ainda bem que o futebolês não é todo igual ou previsível. Espero não baixar o meu espírito competitivo perante a tua escrita verde e literariamente atempada. Abaixo o pasquinismo e outra frangalhada, o palavrão embrutecedor futebolisteiro (não o do espírito futebolístico! ou desportista, tout court – este tout court não leva itálico por faltar nas ferramentas ao meu dispor). Um abraço verde, F. Jorge, Linda-a-Velha