Googlando
Assim que foi divulgado o nome do primeiro vencedor do Prémio LeYa, fiquei perplexo: mas quem será este Murilo Antônio Carvalho de que nunca ouvi falar? Excelentes escritores desconhecidos é o que não falta no Brasil, por isso recorri ao Google para saber que outros livros escreveu, espreitar críticas, descobrir o seu blogue (se o tivesse) ou o site da editora em que publica, etc. O que encontrei, contudo, foi apenas isto: umas quantas referências ao prémio, acabadinhas de colocar online; uma portaria da Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Brasil, em que um tal Murilo António Carvalho Dantas (será a mesma pessoa?) é convocado para um Grupo de Trabalho “que irá analisar os Processos nº 7695/06 e 8601/06 referentes a processos de Urbanização e Terraplanagem/Pavimentação da URB, cidade de Recife/PE” (hmmm, não deve ser a mesma pessoa); e mais nada. Mais rigorosamente nada. Nem blogue, nem site de editora, nem sombra de outros livros.
Será só a mim que isto parece estranho? Se a notícia do Público não garantisse que o escritor participou na conferência de imprensa, falando da Amazónia a partir de um telefone de satélite, atrever-me-ia a dizer que Murilo Antônio Carvalho é um pseudónimo. Como pelos vistos não é pseudónimo, peço aos leitores brasileiros deste blogue que esclareçam de quem se trata, que tipo de livros publicou antes, com que recepção crítica, etc. E já que o Google desconhece este misterioso autor, links para textos e entrevistas do dito (se houver) também são bem-vindos.
Comentários
7 Responses to “Googlando”
- Melancólicas criaturas em 20 de Maio de 2012
- Primeiros parágrafos em 20 de Maio de 2012
- Um rato através da anaconda em 20 de Maio de 2012
- Os reflexos do mal em 19 de Maio de 2012
- O que aí vem (Esfera do Caos) em 19 de Maio de 2012
- Camané no ‘Avenida de Poemas’ em 18 de Maio de 2012
- Amanhã, na secção de Livros do ‘Actual’ em 18 de Maio de 2012
- Juan Marsé: “Ao romancista não basta a realidade, ele tem de ir sempre um pouco mais além” em 18 de Maio de 2012
- Cinco poemas de Liberto Cruz em 17 de Maio de 2012
- A pirâmide alimentar dos escritores em 17 de Maio de 2012


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Está certo que não sou o leitor brasileiro mais atualizado, mas nunca sequer ouvi falar em Murilo Antônio Carvalho. Fiz, entretanto, pesquias nos sites das principais livrarias brasileiras, e não há referências tanto ao nome do autor quanto ao nome do livro premiado, “O Rastro do Jaguar”.
[...] parte o fato de que ninguém tem a menor informação sobre o dito cujo, eu fiquei imensamente feliz com essa notícia. Já considero o Prêmio LeYa a [...]
Vejam o regulamento do concurso: http://www.leya.com/
O concurso era aberto a qualquer pessoa que enviasse os seus escritos inéditos que não estivessem com os seus direitos vendidos a ninguém e que não tivessem concorrido a nenhum outro prémio com essa mesma obra. Logo qualquer anónimo poderia enviar a sua obra de gaveta.
Foi o que se passou com esse brasileiro que nunca tinha publicado nada antes, e segundo as notícias é realizador de documentários para a TV.
“não há referências tanto ao nome do autor quanto ao nome do livro premiado, “O Rastro do Jaguar”. ”
Claro que não. O romance tinha de ser INÉDITO! Porque é que comentam se nem sequer conhecem o regulamento? Que estupidez…
Não entendo este espanto sobre a falta de referênciaa ao autor. O romance a concurso tinha que ser inédito – e qual é o problema de, inclusive, ser de estreia e o tipo nunca ter publicado nada antes?
SOBRE O AUTOR DO ROMANCE VENCEDOR
MURILO ANTÓNIO DE CARVALHO é natural de Carvalhópolis, Minas Gerais, Brasil. Tem 60 anos e é jornalista. Mais recentemente tem-se dedicado à realização de documentários televisivos na área ambiental. No momento em que foi informado do Prémio Leya encontrava-se na Amazónia a gravar um documentário.
Jornalista, escritor, repórter e realizador de TV, Murilo é o repórter responsável pela realização do programa “Siga Bem Caminhoneiro”, que vai para o ar semanalmente no canal SBT, em rede nacional, há 15 anos no ar. É, igualmente, responsável pelo programa Rádio Caminhoneiro, com Sérgio Reis, transmitido por uma rede de 190 emissoras no Brasil, há 16 anos. É, também, autor do programa Rádio Atitude, com Ana Maria Braga e Louro José.
Foi redactor e criador de roteiros de anúncios publicitários para a empresa McCann-Ericson Publicidade, em São Paulo, tendo igualmente sido repórter especial do jornal Movimento, responsável pela secção Cenas Brasileiras, 1975/1980, e editor de Agropecuária da Folha de São Paulo, de 1981 a 1983.
Nos anos 80 foi Director dos Programas Agrojornal e Diário Rural, na TV Bandeirantes, em rede nacional de 1986-2004. Foi também Consultor da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, e Editor executivo das publicações rurais e de agroecologia da Editora Abril.
Publicou os seguintes livros: “Raízes da Morte”, 1º prêmio no Concurso de Contos Fundepar, 1974, publicado pela Editora Ática em 1976; “Cenas Brasileiras, Histórias de Trabalhador” / Reportagens – Editora Brasiliense, 1976. Prefácio de Antonio Callado; “Cenas Brasileiras, Festas e Artistas Populares” Reportagens (com outros autores) / Editora Brasiliense, 1977; “A Cara Engraçada do Medo” / A vida do Bóias Frias – colhedores de café – Editora Hucitec, 1979; “O Sangue da Terra – A luta armada no campo” – Reportagens sobre conflitos de terra no País / Prefácio D. Pedro Casaldáliga / 1980; “Uma Viagem de Canoa de Minas Gerais ao Oceano Atlântico. História dos Vales do Rio das Velhas e do São Francisco” Fotografia de Ronaldo Kotcho / Edição Bilíngüe, Editora Raízes, 1986. Patrocínio Construtora Norberto Odebrecht; “Raso da Catarina – O grande deserto brasileiro” Fotografia de Silvestre Silva / Editora Raízes, 1987. Patrocínio Refinações de Milho, Brasil; “Cachaça, uma alegre história Brasileira” Fotografia de Silvestre Silva / Editora Raízes, 1988. Patrocínio Irmãos Muller, Caninha 51; “O Baixo Rio São Francisco – História de uma Conquista” Fotografia de José Caldas /Edição Bilíngüe/ Editora D e D, Rio de Janeiro, 1996. Patrocínio Coca Cola; “Flores dos Alimentos” / Edição Bilíngüe/ Editora Empresa das Artes, 1998. Fotografias de Silvestre Silva – Patrocínio Bosch; “Oparapitinga – Rio São Francisco” Fotografia de José Caldas em parceira com os escritores Walter Firmo, Frei Beto e Fernando Gabeira. Editora Casa da Palavra – Patrocínio Petrobras.
Na área do cinema e TV, Murilo Carvalho foi guionista do filme de longa metragem FRONTEIRA DAS ALMAS, dirigido por Hermano Penna, Prêmio de melhor roteiro no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro. Murilo foi aidna guionista e realizador dos seguintes documentários/reportagens: “Pancararé, os índios do deserto”, a história dos Pancararé, um grupo indígena que se adaptou à vida do deserto do Raso da Catarina, na Bahia e sua recomposição como nação; “Do Oiapoque ao Chui – A rota dos caminhoneiros pelo Brasil”; “As grandes rotas da Europa”, uma série de documentários sobre as estradas europeias e o transporte de carga; “As montanhas de mármore”, um documentário sobre a produção de mármore em Carrara, na Itália e “Dos Fenícios ao povo de La Cerva”, sobre a irrigação através dos tempos na região desértica de Múrcia, em Espanha. Foi guionista e realizador do documentário “Plantas do Pantanal”, produzido em parceria com a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
“O Rasto do Jaguar”, com que agora venceu o Prémio Leya, foi o seu primeiro romance.
Não me parece que o facto do senhor ser um ilustre desconhecido, pelo menos cá em Portugal, seja o factor de maior relevância: afinal de cont(r)as, trata-se de um romance inédito, até à publicação da primeira obra, óbvio é que não há nenhuma que a anteceda. O que já não me parece tão natural é a aparente falta de informação acerca do homem! E acima de tudo, o que me parece escandaloso é que apenas tenham sido propostas para publicação obras de autores brasileiros! Mas pronto, o Acordo Ortográfico está assinado, tem que se ser posto em marcha (não está aqui em causa se eu concordo ou não com ele), o Brasil é, quer se goste quer não, o maior mercado em termos de língua portuguesa e… acima de tudo, está decidido. Como diria o Simão, numa magnífica simplicidade e transparência verbal após um célebre jogo do Benfica com o Belenenses: “se o árbitro marca, é penalty; se não marca, não é”. Ponto final. Agora, quem estiver “zangado” com este número de circo, LeYa “O Rastro do Jaguar” para, pela sua cabecinha, decidir da justiça ou injustiça do prémio (com toda a subjectividade que tal juízo acarreta…).