Hipertexto

O APODRECIMENTO SUAVE

Já escrevi num poema o fascínio
dos limos que transluzem
numa água de aparência imóvel.

Má literatura apenas, pois nenhum
apodrecimento é suave. Todo ele
é decadência e mau cheiro e o pôr
do sol é kitsch obrigatório de namorados pífios,
antigos calendários de parede e caducos
postais de veraneio.

[in Coisas que Nunca, de Inês Lourenço, &Etc, 2010]



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges