adobe photoshop cs3 extended tutorial Adobe Creative Suite 5 Web Premium Download adobe photoshop cs 2 download adobe photoshop elements 2.0 windows vista Adobe InCopy CS5 for Mac Download adobe acrobat 8 cheap adobe creative suite premium cs2 win Adobe Photoshop Lightroom 3 Download convert word to adobe acrobat adobe photoshop 5 0 free download Adobe Dreamweaver CS5 Download cropping jpegs in adobe illustrator 9.0 adobe illustrator number serial Adobe Creative Suite 5 Design Premium Download adobe photoshop for dummies dvd adobe acrobat v6.0 professional tryout Adobe Photoshop CS5 Extended Download adobe acrobat viewer 6 free adobe acrobat 7 reader Adobe Creative Suite 5 Master Collection Download adobe photoshop cs free trial adobe acrobat 7.0 professional crack download Adobe Acrobat 9 Pro Extended Download adobe store adobe acrobat capture adobe acrobat error 1321 Adobe Premiere Pro CS5 Download adobe photoshop product registration key adobe incopy cs v3.0 Adobe Illustrator CS5 Download adobe photoshop 4.0 tutorial

Histórias das Correntes

correntes1

De capacete amarelo na cabeça e lanterna presa à testa com um elástico, Manuel da Silva Ramos lê um texto no qual se assume como mineiro do «material informe» que abunda nas galerias subterrâneas da literatura, para logo convocar outros «prospectores» que muito admira: J. D. Salinger, Thomas Pynchon, Raymond Roussel, Jorge Luis Borges, James Joyce, George Orwell ou Primo Levi (a lista é longa). Noutra sessão, ao evocar os eufemismos eróticos da doçaria conventual barroca, Paulo Moreiras desmancha-se a rir e a sua hilaridade alastra ao público e agita o Auditório Municipal da Póvoa de Varzim, um sismo de gargalhadas com muitas réplicas.
É sempre assim. Por cada participante mais sério nas nove mesas-redondas da edição deste ano das Correntes d’Escritas, houve um outro que aligeirava o ambiente ao falar de improviso. Se por um lado tivemos João Paulo Sousa a explicar como navega «na noite da ficção sem um mapa definido», Ricardo Menéndez Salmón a reflectir sobre o nada a partir de um registo no diário de Kafka em que este escreveu apenas essa palavra, «nada», ou Jorge Melícias a defender uma ideia de poesia como «encenação da verdade», longe de misticismos, éticas e redenções («encontrei sempre mais poesia na tosse dos tísicos do que nas chagas dos justos»), por outro lado surgiram as habituais piadas e apartes irónicos de Onésimo Teotónio de Almeida, as anedotas do espanhol J. J. Armas Marcelo sobre escritores que se deixam dormir em colóquios e debates, ou a surpresa de ver o pintor-poeta moçambicano Malangatana a cantar, enquanto o jornalista-romancista Manuel Jorge Marmelo improvisava um batuque com as mãos no tampo da mesa.
A meio caminho entre os dois extremos, estiveram três das melhores intervenções: a do escritor colombiano Hector Abad Faciolince, a da poeta espanhola Inma Luna e a do português valter hugo mãe. Para Faciolince, as palavras «não têm culpa» de nascer na «prisão do crânio», de onde só podem sair por duas «portas»: a boca ou a escrita. No seu caso, a primeira esteve quase sempre fechada (em criança, as cinco irmãs mais velhas não o deixavam falar), pelo que a descoberta da segunda foi um milagre: «ao escrever ninguém me interrompia». Além disso, a escrita liberta-o de outros constrangimentos. «Não gaguejo, não hesito, e ninguém percebe que pronuncio mal as palavras estrangeiras. Digo Shakespeare como a Rainha de Inglaterra.»

Correntes2

Quando lhe comunicaram o tema da sua mesa (“O Poeta é um Predador”), a primeira coisa que Inma Luna fez foi comprar um vestido cinzento com um felino selvagem estampado, precisamente aquele que levou para a sessão em que enunciou a sua peculiar taxinomia zooliterária, com quatro tipos de poetas devoradores da realidade: o poeta-lobo (o que procura as presas), o poeta-crocodilo (o que as espera), a poeta-anémona e a poeta-serpente, todos eles espécies ameaçadas. Ao seu lado, valter hugo mãe também falou de animais. Dos pirilampos e abelhas que caçava em miúdo, do cágado que desapareceu dois anos nas ervas do quintal, de uma pata grande e seus ovos, do elefante que gostaria de ter tido em casa e da forma como esses «tantos bichos» sintetizam os desafios da sua criação literária.
Mas as Correntes d’Escritas não se limitaram ao que os escritores convidados (64, metade deles estreantes) disseram no palco. Nesta 11.ª edição, que decorreu entre 24 e 27 de Fevereiro, houve ainda 23 lançamentos de livros, sete visitas a escolas e várias entregas de prémios, entre as quais uma espécie de «óscares» da edição nacional (organização Ler/Booktailors) e o Prémio Literário Casino da Póvoa, atribuído ao romance Myra (Assírio & Alvim), que Maria Velho da Costa só não recebeu em mãos porque o comboio em que viajava teve que regressar a Lisboa, devido às inundações do Tejo.

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]



Comentários

One Response to “Histórias das Correntes”

  1. Jonas on Março 13th, 2010 20:23

    Por outro lado:

    Ao pé da letra #85 (António Guerreiro)
    Sobre o mito do escritor e o seu direito ao prosaísmo

    «Todos os anos, em Fevereiro, por via das Correntes D’Escritas, a Póvoa do Varzim torna-se uma reserva exótica de ‘vida literária’. Das reportagens do acontecimento, podemos deduzir que a cidade se transforma, durante quatro dias, num parque temático. O tema é nobre: a literatura; nobres são também, da categoria outrora designada como ‘homens de espírito’, os que povoam o parque: os escritores. Mas, nas descrições do acontecimento, o que aparece sublinhado são as actividades prosaicas desta corporação de espíritos, o modo como se entregam, com excepcional talento e sentido do espectáculo, a habilidades mundanas.

    Dir-se-ia que as questões diletantes que lhes são propostas para discutir (do tipo “O poeta é um predador”, ou “Escrevo para desiludir com mérito”) são prolongamentos da arte do lazer, exibida publicamente não como quem desce do pedestal mas como quem nele se ergue ainda mais alto. Em tempos, Barthes explicou tudo isto numa das suas mitologias, “O Escritor em Férias”, onde mostrava que o estatuto de prestígio que a sociedade concede ao escritor — o mito do escritor — se reforça nesta “aliança espectacular de tanta nobreza e tanta futilidade”.»

    António Guerreiro, «Ao pé da letra», Expresso-Actual, 6.3.2010.

    Leia os últimos textos publicados
    «Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges