Hype, modo de usar

O novo romance de Jonathan Franzen (Freedom) está cada vez mais transformado na grande notícia da rentrée literária global. Depois da capa da Time (onde o apelidam de «great american novelist»), houve a notícia de que Obama teria escolhido o livro para as suas leituras de férias em Martha’s Vineyard e começaram a sair críticas ditirâmbicas dos dois lados do Atlântico (o The New York Times diz que estamos perante uma «obra-prima da ficção americana»; um crítico do The Guardian garante que é «o romance do século»).
Se isto não é hype, o que é hype?



Comentários

One Response to “Hype, modo de usar”

  1. Safaa on Agosto 25th, 2010 18:40

    Eu costumo dizer que há dois tipos de hype: o hype vox populi que incide num produto muitas vezes bom, outras vezes mau, e é gerado por puro passa palavra e há o hype marketizado, ou seja, o hype vindo das altas esferas que é resultado de marketing inteligente, bem pago e bem montado e muitas vezes não corresponde às expectativas geradas. No caso do Franzen, parece-me a segunda hipótese.

    O que me incomoda mais será o facto de o Lev Grossman apelidar o Franzen de “great american novelist” pelo facto de descrever “the way we live now”. Pelo que li, a sua obra-prima gira em torno de (mais) uma família disfuncional, como se a televisão e o cinema independente norte-americanos não se tivessem já sublimado, desde há anos, nessa arte de mostrar as psicoses dos americanos. Não é à toa que o crítico do Guardian compara o “The Corrections” do Franzen a mini-séries da HBO.

    “O romance do século” quando o século ainda agora começou? É com essas afirmações que uma pessoa fica logo de pé atrás. O homem até pode ser muito bom mas há uma desconfiança instintiva por hype excessivo.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges