Imagens de Capote
Em Outras vozes, outros lugares, o vendaval de metáforas ameaça por vezes levar tudo consigo: o narrador, as personagens, o tempo da história, a luxuriante paisagem (com os seus pântanos que escondem homens afogados, brilhando espectrais nas águas turvas) e a própria arquitectura romanesca, uma arquitectura que se afunda na terra como a mansão onde Joel Knox desembarca, sem saber que só o esperam quimeras. O excesso metafórico chega a ser sufocante, mas a verdade é que muitas semanas depois de acabar a leitura ainda há imagens daquele universo que pairam na minha cabeça. As cobras-d’água que «deslizando por entre as cordas, criavam melodias nocturnas no piano decrépito do salão de baile», por exemplo. Ou os lírios agitando-se «como mãos fantasmagóricas com luvas de renda».
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