Jorge Luiz Borges

Eu gosto muito do Rui Zink mas o que ele disse à Lusa não lembra ao diabo:

“[Luiz Pacheco] é o nosso Jorge Luis Borges, porque, não tendo nada a ver, à partida, com o escritor argentino, escrevendo também sempre textos curtos, escrevendo prosa normalmente com não mais de cinco páginas, dez páginas, marcou as nossas letras”

Ou seja: o Pacheco (libertino, caótico, visceral) e o Borges (assexuado, meticuloso, cerebral) equivalem-se porque ambos escreviam textos curtos e marcaram as letras dos respectivos países? Please. Não me parece que os ingleses digam que Oscar Wilde “é o nosso Marquês de Sade, porque, não tendo nada a ver, à partida, com o escritor francês, escreveu também enquanto esteve preso”. Além disso, por muito que estime a escrita do autor de Comunidade, parece-me evidente que Borges pertence a outra galáxia, infinitamente superior.
A única coisa que o Pacheco tem em comum com Borges é um dos nomes (e mesmo esse difere na grafia).



Comentários

4 Responses to “Jorge Luiz Borges”

  1. BiblioFilmes on Janeiro 7th, 2008 11:51

    Hellooo,

    Borges, o Homem que antecipou a Internet 2.0

    bibliofilmes.blogspot.com/2008/01/curtas-jorge-luis-borges-o-homem-que.html

  2. Paula Crespo on Janeiro 8th, 2008 0:27

    Concordo. As pessoas tendem a dizer enormidades, porque de repente lhes ocorrem, porque soa bem. Ecoa mas não têm fundamento.O mesmo sucede com os elogios póstumos, quase sempre ou falsos ou, pelo menos, exagerados. Agora chovem os posts sobre Luiz Pacheco. Sinceramente, não o conhecia. Reconheço, pelo que agora leio dele, que terá sido uma alma diferente e arrojada. Reconheço, então, que se lhe deva tirar o chapéu, por essa diferença. Interrogo-me, no entanto, quantas pessoas gostariam de ter como amigo próximo uma figura destas… Sinceramente.

  3. KL on Janeiro 8th, 2008 15:45

    O que me preocupa mais é que o António Lobo Antunes vai já comparar-se ao Camões porque também é zarolho.

  4. Ana Cristina Leonardo on Janeiro 9th, 2008 1:35

    Às vezes o silêncio é mesmo o maior respeito que se pode mostar pelos mortos. Sobretudo, quando não há nada para dizer ou o que há para dizer é uma patetice inqualificável.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges