Jornais de referência (ou nem por isso)

Em todas as sextas-feiras seguintes à atribuição do Nobel de Literatura, faço o mesmo exercício: verificar que diários chamam o assunto para a primeira página e que diários o ignoram. Num pessoalíssimo sistema de classificação da imprensa, este exercício é fundamental para separar os jornais de referência dos outros (tablóides ou a caminho de o serem).
Em 2008, para minha grande desilusão, J.M.G. Le Clézio não vinha na capa do Público, cabendo ao Diário de Notícias salvar a honra do convento. Este ano, a situação inverteu-se: um cantinho (sem foto) no Público, vazio total no DN.
A boa e reveladora surpresa veio do i: foto de Herta Müller na capa e, lá dentro, o trabalho mais completo, assinado por Joana Stichini Varela, com depoimentos de João Barrento (que sugeriu à Cotovia a publicação de O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra), Isabel Gil (especialista em Literatura Alemã da Universidade Católica) e Alexandra Lopes (tradutora de A Terra das Ameixas Verdes), além de um brevíssimo comentário meu à frase justificativa da Academia Sueca.



Comentários

2 Responses to “Jornais de referência (ou nem por isso)”

  1. francisco on Outubro 9th, 2009 14:23

    gosto muito do i. do seu formato, das variadas entrevistas, dos artigos do ny times e especialmente pelo seu conteúdo cultural.
    achei bom o artigo sobre a herta muller, principalmente pela minha ignorância face à sua obra.
    gosto do prémio nobel nesse aspecto, não é a primeira vez q me revela um escritor. e é, quase sempre, uma boa surpresa.
    agora resta-me esperar pela reedição dos seus livros.
    abraço

    • Carlos Azevedo on Outubro 13th, 2009 14:06

      Tenho lido, sobretudo em blogues, alguns comentários pouco abonatórios sobre a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Herta Müller. Quase todos batem na mesma tecla: quem é Herta Müller? Ora, eu também nunca tinha ouvido este nome, mas não é por isso que assumo automaticamente que a escritora de origem romena não merece o prémio (e dando já de barato a subjectividade que o juízo sobre o merecimento, ou não, carrega). No fundo, os comentários revelam mais sobre a arrogância de quem os faz do que sobre a escrita de Herta Müller.

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