Lembrar o Olímpio (2)

Faz hoje um mês que os amigos do Olímpio Ferreira se juntaram para o homenagear, um encontro que na altura o Daniel descreveu assim e a que tive muita pena de faltar (estava em Espanha naquele fim-de-semana). Além da despedida emocionada, houve também a distribuição de um livro feito para o Olímpio, com depoimentos, desenhos e poemas (edição Diatribe).
Eis a capa:

olimpio_livro.jpg

Lá de dentro, resgato este poema do Paulo da Costa Domingos:

CARPIR

Vamos lá. Vamos lá sorrir um pouco. A vida
é isto: fugir-nos como areia entre dedos;
versos soltos por uma outra manhã, ou
versos soltos aconchegando um féretro…

A vida, que é isto (amigos perdem o gás,
súbitos, e vêm então celebrá-los poetas,
os seus queridos poetas), vai descer à
terra, onde nada cessa e tudo se reagrega.

Zona da grã paciência, lá onde o anjo
que partiu dialogará, enfim, com o fantasma;
e os vivos, entre si, pedem lhes seja concedida
nova manhã de luto e luta. Vamos lá, vamos lá.

E já agora este desenho/poema do Luís Manuel Gaspar:

olimpio_livro2.jpg

Nota – Aos três primeiros leitores deste blogue que o solicitem por e-mail, tenho todo o gosto em oferecer um exemplar da obra (por favor indicar morada para o envio).



Comentários

2 Responses to “Lembrar o Olímpio (2)”

  1. DOMINGOS DA MOTA on Abril 30th, 2008 23:58

    PARA SEMPRE

    Cavalgámos a luz … / e eis-nos ante
    o súbito lugar da eternidade:
    o nó cego do tempo que nos há-de
    cumular de silêncio: doravante,

    rente ao chão do futuro deslizante,
    solapa-se o devir que nos invade:
    irrompe, surde desde a intimidade
    da terra com a terra: obliterante

    culmina o sentido dos sentidos:
    dessorados, dispersos, derruídos,
    talvez foz para sempre assoreada;

    talvez chuva de cinzas e de vento;
    no baldio mais chão do esquecimento,
    talvez húmus apenas: pó … / e nada.

    DOMINGOS DA MOTA

    Praça de Sousa Caldas-168 – 3º. hab.33
    4400-138 V.N.Gaia

  2. DOMINGOS DA MOTA on Maio 1st, 2008 12:12

    A LUZ

    Devagarosa a luz,
    a luz, tão negra, vacila, cai
    de bruços derreada:

    arrefece o olhar,
    rasura, cega; e pára, brusca-
    mente / ao rés do nada.

    DOMINGOS DA MOTA

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges