Livros no Parque

A partir de dia 29 [hoje], e até 16 de Maio, o Parque Eduardo VII volta a ser um local de peregrinação para quem gosta de livros e os procura, ali, todos os anos, não apenas porque os pode comprar mais baratos mas também porque a Feira do Livro de Lisboa, com as muitas dezenas de milhar de títulos diferentes que disponibiliza, é durante duas semanas a maior livraria do país. Ainca por cima ao ar livre, com o Tejo ao fundo e o esplendor roxo dos jacarandás em flor.
Eduardo Boavida, director da Feira, explica as novidades desta edição (a 80.ª), primeira realizada após a reunificação do sector do livro, sob a égide da APEL, «o que nos permite concentrar energias no que interessa, os livros e quem os faz e lê», em vez de as dissipar no tipo de quezílias e controvérsias que há uns anos quase puseram em causa a realização da Feira.
Depois de muitas queixas ouvidas nas últimas edições, o horário voltou a ser prolongado (encerramento às 23h30; abertura às 12h30 nos dias de semana e às 11h00 ao sábado e domingo). Horário semelhante, diga-se, ao da Feira do Livro do Porto, que estará na Avenida dos Aliados entre 27 de Maio e 13 de Junho.
Voltando a Lisboa, uma das maiores apostas vai ser a captação do público infantil, que terá um programa específico (feito em colaboração com a rede de Bibliotecas Públicas e Municipais), além de um novo espaço que inclui um local com vigilância, onde os visitantes poderão deixar os seus filhos.
Haverá ainda um Auditório para o programa cultural e quatro praças com nomes de cores – Azul, Verde, Amarela e Lilás – que serão um ponto de encontro e um palco para lançamentos, leituras ao vivo, etc. Nas duas alas da Feira foram instalados 220 pavilhões standard (todos iguais e com as mesmas funcionalidades) e 17 pavilhões diferenciados, para uso das 120 editoras inscritas.
Por confirmar está outra possível novidade: a instituição de uma happy hour. Ou seja, um período de tempo curto, durante o qual alguns pavilhões praticariam descontos especiais, superiores ao do livro do dia (40%) – promoções só possíveis para títulos que não estejam abrangidos pela lei do preço fixo (ou seja, que tenham sido publicados há mais de 18 meses).
Outra diferença em relação aos últimos anos: desta vez não foi escolhido um país-tema (em 2009 tinha sido o Brasil). «A literatura não é dos países, é universal», justificou Paulo Teixeira Pinto, presidente da APEL. «Além disso, esta é uma Feira virada para o comércio directo, mais do que para a promoção, pelo que o conceito de país-tema nos pareceu pouco ajustado à nossa realidade», acrescenta Eduardo Boavida. O que não muda é a homenagem da Feira a uma figura do meio editorial, «como forma de celebrar pessoas cuja actividade marcou este sector ao longo dos anos». Em 2010, o homenageado será Fernando Guedes, fundador da Editorial Verbo e presidente da APEL entre 1982 e 1986.
Última novidade: para controlo do cumprimento efectivo das regras estabelecidas pela direcção da Feira, serão realizadas auditorias diárias aos pavilhões.

[Texto publicado no suplemento Actual, do semanário Expresso]



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«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges