O boato
Às 9h23, publiquei aqui uma notícia tristíssima, chegada por SMS horas antes (1h42): «Soube agora mesmo que o Manuel Rosa morreu, num acidente.» Não sabendo mais pormenores, lamentava nesse post a terrível perda e o golpe brutal — mais um — que atingia assim a Assírio & Alvim, uma das melhores editoras portuguesas. O principal pormenor em falta era este: a notícia é falsa. Completamente falsa.
Apesar do inqualificável boato que alguém certamente muito desequilibrado pôs a circular, para desespero e dor de quem conhece o Manuel, este encontra-se de perfeita saúde, tal como a Ilda David’, que supostamente teria partido uma perna no suposto acidente de viação.
Como devem imaginar, até me arrepio só de pensar que durante umas horas “matei” alguém que muito estimo e admiro. É certo que coisas destas já aconteceram várias vezes (a começar pelo mais famoso dos antecedentes); é certo que ninguém está a salvo de mentes retorcidas e capazes de espalhar as mentiras mais sórdidas; mas ainda assim impõe-se um pedido de desculpas ao Manuel Rosa, claro, e a todos os leitores que se sobressaltaram (felizmente) em vão.
[Fotografia: João Moreira dos Santos, reenquadrada]
Comentários
19 Responses to “O boato”
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Esta notícia é falsa. Não falei ainda com o próprio Manuel Rosa mas acabo de ter a confirmação sem margem para dúvidas de que se trata (apenas e felizmente) de um boato de muito mau gosto. O Manuel Rosa está bem e não sofreu qualquer acidente.
Confirmo a falsidade da notícia. O Rodrigues da Silva, aqui ao meu lado, acabou de falar com o Manuel Rosa.
Já sabemos a quem mandar um sms quando quisermos espalhar um boato bem cabeludo.
É falso!! Liguei para a Assírio & Alvim e a Marta Viegas confirmou-me que o Manuel Rosa está vivo e recomenda-se.
Fogo nos abutres!!!
Por falar em abutres…
Para que não se perdessem os comentários já escritos, refiz o post sem o apagar. É óbvio que lamento muito toda a situação, Vasquinho, mas como compreenderá nunca publicaria uma informação transmitida por alguém que não conhecesse. O amigo que me enviou a SMS já me avisou de outras mortes (infelizmente verdadeiras) e não tinha quaisquer motivos para suspeitar do que me dizia. Aliás, o sucesso do boato teve a ver precisamente com o modo como chegou às pessoas certas e com a verosimilhança da história de quem o lançou.
Ai além da morte do Manel a Ilda também levava que contar, nesse pérfido sms… Com amigos desses tanto o Manuel Rosa como a Ilda David – e por tabela, a Assírio & Alvim – bem podem dispensar os inimigos.
Ou será – lá vem a minha mente perversa – que a ideia consiste em destabilizar, “atirar o barro à parede” para ver como se reage a uma aquisição (favorável) da editora?
Jorge,
Na SMS vinha só o que cito. A parte da história com a Ilda foi-me contada há pouco, por uma outra amiga que me ligou a avisar sobre o que se passava. A história completa do boato dava um texto longo, mas como compreenderás estou demasiado enojado para escrevê-lo.
Quanto à tua teoria “perversa”, não me parece que tenha sido o caso, embora saiba que há gente capaz de pensar em coisas dessas.
Zé Mário,
não estás mais enojado do que eu, se te serve de ombro amigo. Caga nisso e pensa como o Manel e a Ilda se devem estar a escangalhar a rir. Aliás, já foi a sorrir que me atenderam na A&A, por voltas das 11.30.
E por falar em abutres…. Ana, também não tens licença de caça? Então, bora lá e fogo neles… zagalotes! Fiufiufiu…
Ah!, e prepara-te para os teus detractores espalharem o boato de que as notícias que divulgas no teu blog não serem de confiança, recorrendo, precisamente, ao boato onde o Manuel Rosa se mantém VIVO e incólume.
E agora, se me dás licença, vou almoçar e fumar um charro
Caro José Mário,
a notícia também nos chegou. Fizemos um ou dois telefonemas e a dúvida tinha-se, de facto, instalado. Já ninguém sabia se era verdade ou mentira.
Estivemos até agora a decidir se também deveríamos colocar um post a falar deste gesto de extremo mau gosto. Optamos por não o fazer, pois fazê-lo será dar corda a alguém sedento de protagonismo.
Antes assim, no meio disto tudo, que tenha sido apenas um boato. Como disse, julgo que Mark Twain, acerca da sua própria alegada morte, e parafraseando (o mau-gosto já vem de longe) … as notícias da minha morte foram um manifesto exagero. Ainda bem.
Caro José Mário Silva, às 2 e tal da manhã vi essa notícia publicada num blogue que muito prezo, do Augusto M Seabra. Liguei para um amigo, o poeta da Assírio José Agostinho Baptista, que nada sabia e que ficou de rastos, como eu, naturalmente, já estava, também porque a morte já tinha levado duas outras pessoas chegadas, o Hermínio e o Miguel Bastos.
Pouco depois, por volta das 3 e tal, vi que o post tinha sido entretanto retirado. Mandei e-mail ao AMS e voltei a ligar para o Zé agostinho dando-lhe conta do sucedido. Ele decidiu-se a ligar ao Manel já passaria muito das 4, que não atendeu, e ligou depois a outro amigo comum da Assírio que já estava a par do boato e que o desmentiu.
Quase às 5 fomos todos dormir.
Isto para dizer o quê? Para dizer que a velocidade da NET e dos SMS nem sempre é boa conselheira. E para acrescentar que, principalmente, jornalistas ou gente ligada aos jornais, TÊM OBRIGAÇÃO de confirmar as fontes , para mais numa motícia deste género. Porque as mentes “loucas ou retorcidas” só têm eficácia quando alguém lhes dá cobertura, espaço e voz.
Francamente, fiquei mesmo chateada com isto, que considero uma GRANDE IRRESPONSABILIDADE.
Ponto 2: Estou felicíssima por o Manel Rosa ter passado a noite tranquilamente a dormir e mais ainda por ir voltar a vê-lo e ao seu sorriso único.
Ana,
Não ficaste mais chateada do que eu. Nunca julguei que uma notícia destas pudesse ser falsa (talvez seja ingenuidade minha, mas pensava que coisas destas só aconteciam ao Twain e noutro século). Enganei-me, mais uma vez, quanto aos abismos a que pode descer o ser humano. Não volta a acontecer.
Bem fiz eu que à hora em que o boato circulava por aí na net estava a dormir, evitando, assim, esse sobressalto, o que confirma o ditado que diz que «deitar cedo e cedo erguer dá faz saúde e faz crescer». Mas isto é só retórica, o que importa é que o Manuel Rosa vai por cá andando!
João Ventura, eu não diria que o Manuel Rosa – que, para mim, é sobretudo um GRANDE escultor esquecido – “vai por cá andando”, diria sim, a falta que ele não faria se não andasse por cá. Um abraço, estamos todos (os que se preocuparam, temeram e, porque não? sofreram) de parabéns: a notícia era falsa como Judas e ponto final.
Zé Mário, venham outros textos/notícias/postas que esta já tresanda…
Tens razão, Jorge. Já trato disso.
uma canalhice, digo-vos eu
Eis a importância de confirmar as notícias.
[...] Furtado. Contudo, como a fonte não me inspirava total confiança, e temendo a repetição de episódios desagradáveis, esperei pela confirmação oficial. E ela chegou há [...]