Marketing inventivo

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A Dom Quixote enviou-me a nova edição de O Deus das Moscas, de William Golding, dentro de um mosquiteiro onde jaziam, com as asas partidas, umas quantas moscas de plástico.



Comentários

5 Responses to “Marketing inventivo”

  1. RLF on Setembro 30th, 2008 11:19

    1. Mosquiteiro seria para mosquitos, portanto por aí falha a “invenção”. Ou uma lata de Sheltox ou um mata-moscas de plático, ou uma fita de papel adesivo de pendurar na parede das tascas ou um ficheiro mp3 com o som dos choques eléctricos das armadilhas de moscas nas mesmas tascas: tudo isso seria melhor.
    2. DEUS das Moscas? LORD agora traduz-se por DEUS?
    3. Deus nos livre de imaginar o que a chancela vai fazer para promover, sei lá, as reedições do livro da Carolina Salgado…

  2. António on Setembro 30th, 2008 11:30

    Já agora podiam pôr uma latita de DUMDUM — Rápido e Fatal, dentro do mosquiteiro, não se sintam os leitores acossados por um qualquer surto imaginário de mosquitagem.
    Está tudo maluco! Aguardo com a expectativa qual o golpe de mão que aguarda a promoção do livro da Paula Lee, quando eventualmente for reeditado.

  3. Francisco on Setembro 30th, 2008 11:45

    Nojento… a começar pela tradução do título. Como estamos numa economia de mercado, resta-nos esperar que os leitores vetem esta obra-prima da estupidez. Se por acaso acharem que esta até é uma ideia “gira”, considerem o seguinte:

    1) Compram o livro e chegam a casa ansiosos por começar a lê-lo, mas também cheios de fome. Aquecem uma sopinha no microondas, para não perder muito tempo com o lado material da vida, levam uma colher à boca, retiram o mosquiteiro e… bolas, caiu-me uma mosca na sopa!

    2) Como o leitor não é dado a desperdícios, começa a engendrar automaticamente um modo de dar utilidade ao famigerado mosquiteiro. Perde duas horas nestas cogitações, preciosas porque o tempo destinado à leitura é escasso. Finalmente decide-se a retalhar o mosquiteiro com a faca mais à mão, para experimentar uma possível colocação na janela. Rapidamente constata que afinal é um esforço inglório e acaba por deitar o mosquiteiro no lixo, exausto e de cabeça perdida por não o ter feito logo. No caminho, fica com uma raiva súbita ao livro, e dá-lhe o mesmo destino do mosquiteiro.

  4. Tim_booth on Setembro 30th, 2008 12:28

    Já há algum tempo que a tradução do “Lord of the Flies” de William Golding é “O Deus das Moscas”, incorrecta ou enganadora que seja. Pelo menos na edição que tenho, de 2002, (trad. de Luís de Sousa Rebelo) já assim é.

    Na verdade talvez seja altura de uma nova tradução, esta nova edição da Dom Quixote poderia ter aproveitado para isso… De qualquer das maneiras a ideia do mosquiteiro está interessante, resta saber se a acção de markting não se reflecte no preço do livro.

    Cheers

  5. amv on Setembro 30th, 2008 23:05

    Também me enviaram um exemplar no saco de rede, com cinco ou seis moscas e, além disso, com o próprio deus, branco, da cor da rede, na volta para disfarçar; quando abri o saco ele aproveitou para fugir, e a verdade é que nunca mais o vi.

«Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta» Jorge Luis Borges